31 outubro, 2011

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Nem carinho, nem devaneios... Só algumas pirações necessitando solução.
Ela não sabe por onde começar. Demorou tanto pra tomar coragem de viver isso... acreditar nas palavras dele, no seu jeito de olhar, nos seus sonhos que no fundo ela queria que fossem dela também. E sabe de uma coisa? Se tornaram... Ele não tem idéia do quanto ela fugiu desse sentimento de vulnerabilidade em que se encontra agora... pequena, com frio, com medo...
Lembrou de uma frase da Luciana Brito que dizia assim:
"Entende que é medo, dói, que o passado ainda é tão presente e o futuro tão incerto. Entende que é difícil acreditar não só em você, mas em mim. Entende que eu passei anos desacreditando de tudo que você me oferece agora (...)".
E é exatamente isso... Longe de escrever letras de música ou poesias, ela mal consegue organizar o que sente agora... E o mais irônico é que a mesma maluquice da vida que fez eles se encontrarem, também os fez encontrarem outras pessoas, viver outros momentos. E isso não é ruim. É o que traz graça pra vida, que os faz ser quem são... essas linhas que as pessoas vão escrevendo (neles e com eles...)
Ela não conseguiu distinguir se as lágrimas eram por ela ou por eles acredita? Complicado explicar que ela sabe o que sente, entende o que ele sente... mas se sente pequena, diante desse carinho tão grande... não se sente o novo rumo sonhado sabe? "Querido"... Mas, o novo rumo "possível"... Ainda que tudo seja possível... Ela e ela... Ela só queria ter certeza que não é uma opção... que é a pessoa com quem ele quer ficar, de quem ele sente saudade, em quem pensa quando acorda, a voz que ele quer escutar sabe? Quando abre os olhos de manhã... Ou 'de tarde' como ele brinca com a maneira dela falar...
Difícil não se sentir essa energia arrebatadora sabe? Difícil se sentir "a segurança'... A bonequinha... Acho que ela queria que ele se sentisse como ela... Sentisse essa vontade maluca de estar junto, misturada com a  incerteza que todo amor provoca...
E pensar que demorou tanto pra ela ter essa coragem de enxergá-los sabe, de entrar nessa brincadeira enquanto viajava nas músicas do Leoni, do Frejat... E quanto ela pensou neles se encaixando nos pedacinhos daquelas letras que pareciam adivinhar o que ela sentia... Ainda que ela tenha problema com perguntas objetivas e que conjugar verbos não seja o seu forte. Agora... Certo medo do presente... do futuro nem se fala, e mais medo ainda de como isso vai virar passado.
Ela pensa nas conversas...  às vezes, falando sem parar, mania de mudar de um assunto pra outro, ele ouvindo com aquele jeito carinhoso de quem tá com sono mas está escutando a coisa mais importante do mundo. Ela sorrindo feito boba, vendo os olhos dele brilharem ao falar sobre músicas e bandas e letras e curiosidades... Adivinhando o nome das músicas que tocam no rádio, o nome das bandas e ainda algumas curiosidades de vez em quando. E pensando em como essas coisas o fazem feliz... e em como é importante que ele nunca esqueça disso... E perdendo o ar, o chão cada vez que ele a olha daquele jeito... e perguntando sem jeito "O que foi?"...
Acho que ela queria acordar e ficar enrolando na cama pra levantar, queria acordar de madrugada com um carinho dele, olhar ele dormindo e pensar caramba, que sorte que a gente se encontrou... Acho que ela queria dar risada com ele das coisas mais bobas, contar as suas inseguranças malucas, daquele jeito corrido e desorganizado que nem ela entende, mas que ele ouve, olhando com carinho. Ela só queria poder vê-lo de longe e continuar sentindo esse frio na barriga e essa vontade louca de correr abraçá-lo sabe? E talvez, porque isso signifique quase se esquecer do mundo quando ele a abraça...
E agora ela tá se sentindo meio boba pensando nisso tudo... Sabe, ela só queria ser a pessoa que ele pensa quando quer viver essas coisas bobas, que ela sabe que todo mundo quer viver (nem que seja lá no fundinho)...

2 comentários:

  1. Muito bonito! Arrancou-me um suspiro.

    Um abraço,

    Suzana/LILY

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  2. Obrigada Suzana/Lily!
    Anda complicado escrever...
    Beijo grande!

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Obrigado por fazer parte desse diálogo comigo mesma!