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12 abril, 2011

Talvez eu possa...




Quando começa a ficar bom ou eu desconfio ou dou um passo para trás.
Clarice Lispector

Medo do quê??? Eu só queria entender isso, nem que fosse só um pouquinho. Porque nesses 27 anos de nada adiantou ser a pessoa mais cuidadosa, e pensar e repensar 234 vezes antes de tomar qualquer decisão...

Sabe quando só uma vez na vida você queria ser a pessoa que não pensa? Que vive? Que sente? Que se joga e vê o que acontece, porque no fundo sabe que do chão não vai passar e diferente de mim, paga pra ver... Eu fico lendo, ouvindo e vendo histórias acontecerem, e as pessoas viverem...

Enquanto eu, fico aqui! Plajejando 876 quedas diferentes, e estudando qual a melhor maneira de sofrer menos, sem nem perceber (ou quase) o sofrimento que é não pagar pra ver... Não viver, não sentir...

Fiquei aqui pensando o que é que me faz paralisar diante das possibilidades... Não exatamente paralisar, mas dar esse bendito passo para trás... ou desconfiar...  sempre desconfiar... Fico lembrando da sua cara me olhando como se eu representasse mesmo uma possibilidade de começar de novo, ou simplesmente de ser feliz naquele momento, de viver, e eu ali, tentando racionalizar que não devia significar nada... nem pra você e nem pra mim... 

Fico lembrando de mim, do meu desespero cada vez que algo me faz sentir viva, exatamente da maneira como eu tenho medo... De como olho para as histórias ao meu redor e desconfio que essas coisas aconteçam de verdade... E do pensamento seguinte que é: 'tanto faz'. 'Eu estragaria mesmo se elas acontecessem...'. Lembro de alguém me dizendo que eu não posso afastar as pessoas pra sempre... Uma novidade pra você: talvez eu possa.  

26 março, 2011

Um dia chego lá...





A prova de que estou recuperando a minha saúde mental, é que estou muito mais permissiva: eu me permito mais liberdade e mais experiências. Aceito o acaso. Anseio pelo que ainda não experimentei. Maior espaço psíquico. Estou felizmente mais doida.

Clarice Lispector

19 fevereiro, 2011

Pode ter...




(Image by Beth Retro Photography)

"A outra mão dele, a livre, está ao alcance dela. Ela sabe e não a toma. Tem exatamente o que precisa ter: Pode ter."
Clarice Lispector

16 julho, 2010

Sobrevivendo? Vivendo...



(Image by Laura Rounds)

'Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante.'
Clarice Lispector


Quando li essa frase comecei a pensar em como estou levando a vida sabe? Além da correria, do trabalho, das contas pra pagar, das coisas pra estudar... E reparei em como tenho usado muito a palavra ‘sobrevivendo’...

Recebemos (eu e uma amiga) o email de uma amiga muito especial... E a pergunta era muito simples: Como vocês estão? E lá fomos nós nos descrevermos como SOBREVIVENTES!

Quem lê pensa que estamos quase numa guerra né!? Não que a vida não seja uma às vezes [rs].

Mas lá fomos nós descrever como estávamos: sobrevivendo no trabalho, sobrevivendo em casa, sobrevivendo na família, sobrevivendo na faculdade, sobrevivendo no ônibus, sobrevivendo... E fiquei pensando que história é essa de achar que só porque as coisas não saem exatamente como queremos estamos simplesmente sobrevivendo e não vivendo!

Fiquei pensando que essa sensação de estar ‘sobrevivendo’ ao mundo deve ter haver com as coisas saírem diferente do que havíamos planejado, ou esperávamos... E com o fato de muitas vezes pensarmos que devíamos ter sido mais corajosos ou menos covardes, tanto faz.

Mais é aí que está, Clarice tem toda razão: 'Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante' e nós tentamos ao máximo encontrar o equilibrio nesse jogo.

E fiquei pensando que talvez mais importante do que equilibrá-lo seja viver essa vida maluca de encontros e desencontros aproveitando os momentos, sejam eles de coragem, ou talvez um pouco covardes.

Ok que há dias em que nos perguntamos por que não ficamos dormindo? Escondidos embaixo do edredom? Mas ainda assim se prestarmos atenção há coisas que devem ter valido a pena...

Seja o sorriso que arrancamos de uma amiga ‘praguejando’ o planeta pelas coisas que não saíram como queríamos, pela nossa coragem ou covardia, sejam as palavras que ouvimos pelas mesmas reclamações e que nos fizeram pensar, pois não havíamos olhado por aquele lado ainda. Ou seja, simplesmente o fato de termos nos permitido ficarmos putos com o mundo! Ainda que temporariamente, também podemos e muitas vezes merecemos não estarmos de acordo!

Por outro lado talvez não seja fácil perceber esses momentos, ainda mais depois de um dia cansativo (e frio como esse) de trabalho, confesso que nem sempre consigo, e que na maioria das vezes nem me lembro de pensar nisso, mas por algum momento deve ter valido a pena o dia de hoje...

Pra mim o dia de hoje valeu muito a pena por ensinar minha irmã a jogar dominó e ela se sentir como se tivesse descoberto algo mágico! Ok que não venci nenhuma vez ainda [rs] mas vê-la sorrir, tentando adivinhar as minhas peças definitivamente valeu o dia...

Seja sorrindo ou de saco cheio com o mundo, de maneira corajosa ou um pouco covarde (às vezes) estamos vivendo e certamente o que seremos e como estaremos amanhã terá muito dos nossos sorrisos e reclamações de hoje!

E tudo isso me lembrou muito a música 'Paciência' do Lenine... E embora muitas vezes ela tenha me parecido triste, hoje me passou uma sensação boa, de possibilidade... Afinal a vida parece mesmo tão rara...