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31 dezembro, 2010

Em 2011...



(Image by John Kelly)


Desejo que desejes...
(Martha Medeiros)

Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido, desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado depois de correr ou um abraço ao chegar em casa, desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.

Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que, ao sabê-los impossíveis, não os leve em consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração, desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.

Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, pois através deles somos puxados pra dentro, eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.

Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja, mas que o desejo pelo encontro seja sincero, que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas, que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja convivência pacífica com outros que desejam outras coisas.

Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma, mudanças são temidas, mas não há outro combustível para essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente, não reprima teus pedidos ocultos,  desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo, antes de tudo, que desejes, simplesmente.

Um brinde à 2010!



A companhia sempre faz toda a diferença!

Talvez a razão pela qual todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve para a estrada perfeita...

Talvez elas nem estejam totalmente fechadas...
Talvez todas elas levem até algum tipo de estrada perfeita...

Depois de algum tempo longe (entre aspas, porque espiar é algo que eu não consigo evitar, então de alguma maneira passei por aqui e por aí também), é hora de fazer o tradicional balanço do ano certo? E desejar um 2011 ainda melhor e cheio de coisas boas...

Na verdade sou péssima com promessas, porque descobri esse ano que sou um tanto egoísta (na verdade eu admito isso, porque no fundo ou na superfície mesmo todo mundo é, mas aprendemos que isso é muito feio, quando na verdade é só mais um mecanismo de cuidar da gente e apesar de todas as pressões do planeta e das pessoas que habitam esse planeta, fazer valer alguns de nossos desejos, vontades, pensamentos...).

Logo, nada de promessas. Já que se no meio do caminho achar que mereço mudar, eu vou mudar a decisão ou mesmo o caminho.

2010 foi sem dúvida um ano surpreendente em todos os aspectos. Sabe aquele ano em que a gente pensa UAU, aconteceu tudo isso e eu estou aqui firme e mais forte? Talvez todos devessem ser assim, mas até os meus 26 anos não tinham sido não, pelo menos não pareceram.

Trabalhei pra caramba, pôxa ralei muito... Mas também me realizei muito profissionalmente! Conheci gente nova, resgatei amizades antigas (eternas agora rss), foi o meu primeiro ano sozinha, colocando o coração em dia... coração que ainda anda medroso (como a dona, claro), mas que hoje sai do 'não bate nem apanha' pra um 'talvez eu possa me arriscar de novo'... Vivi em paz em casa! É, família não é algo simples, mas parece a minha tem encontrado algum eixo maluco, e está até divertida! Acho que estamos descobrindo que além dos problemas, temos que nos divertir também! Não terminei de tirar carta, não terminei o mestrado... mas ambos estão em processo... Bebi muita água..., tentei reclamar menos, mas isso definitivamente não consegui (você tem razão, eu reclamo muito mesmo, e agora vou ficar pensando nisso)...

Se não vou fazer promessas, posso fazer uma lista de possibilidades interessantes para correr atrás...
Começando pelos exercícios físicos! Boxe e dança de salão encabeçam a lista no momento, mas vamos experimentar né? Academia não é o meu 'lugar favorito' sabe? Mas, o fato é que não vai rolar mais um ano parada em que meu maior exercício foi correr atrás do ônibus...

Continuar bebendo muita água, quem diria? Uma meta não traçada, mas cumprida em 2010!

Me divertir muito! Amigos, cinema, almoços, jantares, happys, aniversário em SP (pode contar comigo que eu vou!) momentos comigo... seja como for! Não esquecer que preciso desses momentos, sabe?  Em que a gente percebe que os outros momentos chatos valem a pena também, nem que seja pra deixar esses momentos deliciosos ainda mais especiais!

Conhecer comidas novas! Esse ano foi uma aventura gastronômica eu diria e em 2011 quero continuar assim! Claro que uma amiga nutricionista do meu lado fez toda a diferença!

Conhecer lugares novos! Esse ano também foi ímpar nesse sentido! Paraty, Búzios, Angra... Ainda restam muitos outros destinos para 2011, 2012, 2013... E aquela vontade louca de conhecer a Grécia e a Irlanda pode ir tomando forma de um mochilão, não?

Conhecer músicas, ritmos, letras novas! Sabe, aquelas músicas que grudam e que a gente pensa nossa, como eu não conheci essa música antes? Esse cantor? Essa banda? Quero mais disso!

Conhecer gente nova! Novos rostos, novos gostos, gente com quem eu possa conversar e descobrir coisas novas ou mesmo velhas coincidências...

Hum... ter mais paciência... principalmente comigo. Buscar respeitar o meu tempo, a minha hora... tentar de verdade encontrar esse tempo...

Mais momentos de coragem... Definitivamente preciso de mais momentos de coragem. Não que segurar as pontas todos os dias não seja algo extremamente corajoso, porque é. Mas eu quero mais daqueles momentos em que respiramos fundo, cheiosde dúvidas, mas cheios de curiosidade, vontade, desejo, ou mesmo somente querendo pagar pra ver e vamos em frente... falamos, gritamos, choramos, corremos, e lá estamos nós fazendo algo que definitivamente não esperávamos. É desses momentos de coragem que estamos falando... Geralmente pensar demais é um grande problema pra mim...

Um encontro especial numa certa noite de lua cheia me fez pensar que também posso acreditar mais... nas pessoas, nas possibilidades, no possível, no quase possível, e talvez sentir o impossível também como uma possíbilidade, mesmo que remota... Ou mesmo, só pra sonhar com ele quando tiver vontade. O que talvez seja a mesma coisa que dúvidar com moderação, porque honestamente, não me vejo sem dúvidar das coisas... mas pode ser um bom exercício.

E por fim... espero me deixar surpreender em 2011... (mesmo que dúvide um pouquinho da surpresa, só pra não perder o jeito!)

Desejo um 2011 cheio de coisas que cada um de nós desejarmos, porque definitivamente a maior lição de 2010: Cuidado com os pensamentos e desejos, de repente um anjo passa e pode dizer Amém...

Beijos!

20 dezembro, 2010

Presente para minha amiga não mais secreta...


Bom...
Chega de suspense né? Na verdade eu nem sou tão boa assim com suspense...
A minha amiga secreta é... a Mila, que escreve o "Pensamentos de Mila".
A gente nunca conversou, mas acompanho seu blog à distância!
Sabe que diferente de vocês eu não sou poeta, não desenho, nem canto, nem danço...
Por isso separei uma poesia que achei bem bonita (e desejo tudo isso de verdade pra vc!) e um vídeo, para animar esse 2011 que já está chegando!
Mila, parabéns pelo blog, pelas palavras, por sua sensibilidade... E um super Natal com um 2011 melhor ainda!
Beijos!

Desejos

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade




20 junho, 2010

Desejar o Desejo



Desejar o Desejo [1]

Por Marcia Tiburi

Costumamos querer sem saber o que queremos, costumamos falar de desejo sem saber o que ele significa. Fala-se tanto em desejo que ficamos confusos com seu sentido. Arthur Schopenhauer, no século XIX, pensava que o desejo era o motor do sofrimento. Desejar resultava em ser infeliz. O filósofo tinha certa razão, pois o desejo não vem com o equilíbrio como brinde. E a pergunta, a princípio ingênua, “o desejo é afinal bom ou ruim?” não nos abandona.

Apesar da relação entre desejo e excesso, à sensação de aventura impressionante que uma possível “descoberta” do desejo nos convida, nos tornamos temerosos do desejo. Todavia, permanecemos desejando. Se não estamos às voltas à procura de nosso desejo por conta própria, sempre há quem esteja por perto dizendo que temos que encontra-lo e que isto será uma revolução pessoal.

Há quem fale da diferença entre querer e desejar, uns afirmando que o querer é racional e consciente e o desejo é irracional e inconsciente. É uma boa distinção. De qualquer modo, mesmo confusos, sabemos que o desejo sempre nos põe diante de um abismo que apenas com paciência e atenção somos capazes de atravessar em nosso dia a dia. Este abismo é o outro. É visando-o que descobrimos o que ele realmente é.

Estamos orientados a sempre desejar alguma coisa em relação ao outro, seja ele algo, uma pessoa, a sociedade ou o futuro. Quando desejamos o desejo, a vida vai bem. Nos movemos atentos à beleza, à tragédia, ao sublime da existência e tudo pode ser interessante e motivo de alegria. Baruch Spinoza, no século XVII, falava do desejo como uma espécie de impulso para a vida. A sua melhor qualidade era a produção da alegria como afeto saudável que nos fazia encontrar o outro como dádiva, luz, maravilha.

Para além da felicidade que advém do mero desejar o desejo, desejamos algo diferente dele. Às vezes desejamos as coisas e, como não conquistamos tudo o que queremos, sofremos. Quando desejamos pessoas podemos sofrer mais ainda, já que ao desejar outra pessoa que deseja como nós, nos deparamos com o obstáculo do seu próprio desejo que pode ser avesso ao nosso e nos rejeitar.

Muitas vezes, mesmo desejando alguém e tendo a sorte de uma amizade ou um amor correspondido pomos tudo a perder. Se não desejamos o que o outro é, acabamos por nossa própria conta que ele deveria ser. Mas quem teria este direito de desejar por nós?

Como alguém deveria ser

Não se trata apenas de desejar algo que o outro “deveria” nos dar e chorar porque não fomos contemplados, ou assumir com dignidade a frustração, mas de desejar o modo como alguém “deveria ser”. É como se o outro não fosse o que é, devendo sempre ser diferente para agradar o gosto do seu crítico de plantão. Tornamo-nos críticos exímios socialmente na arte de falar mal, de apontar defeitos, de querer, afinal, que o outro seja como queremos que ele seja. Nunca o que ele é. E se nos casamos com este outro, ou nos tornamos pais, ou precisamos conviver no trabalho?

Em casa, no trabalho, na escola, na empresa, esta postura carrega um gesto de desamor que, em graus variados, pode chegar ao ódio e à intolerância que são o extremo da falta de capacidade de dialogar ou de, simplesmente, deixar que o outro seja o que ele é, a seu modo. Mas e como “eu” deveria ser? Será que esta pergunta teria consistência?

Muitas vezes exigimos das pessoas atitudes e comportamentos que nós mesmos não temos, mas que supomos nossa característica mais essencial. Perguntados, entretanto, nem sempre podemos afirmar com precisão onde, como e quando tais características se manifestam em nós. Qual será a função desta exigência? Se critico o outro por sua preguiça é por que, ao contrário, eu sou trabalhador e esforçado? Se o critico por ignorância, eu sou sábio? Se o critico em sua antipatia, sou eu o simpático? Se o critico por falta de ética, eu sou ético? Falando do outro eu sempre me convenço de que sou melhor do que ele ou, antes, por me considerar perfeito já afirmo minha competência na crítica. Mas, sobretudo, acoberto a chance de que eu esteja na berlinda, sendo o alvo.

Nossos comportamentos geram valores. Não são apenas o fruto de valores preexistentes, mas nós mesmos construímos as bases a partir das quais agimos em nosso futuro e interferimos, sobretudo, no modo de ser de outras pessoas. Este modo de ser leva à decisões e ações mais ou menos livres que moldam a totalidade da vida.

A liberdade do outro é o começo da minha

Nossa sociedade costuma demonstrar seus valores cultuando-os. Este culto mostra duas coisas: que temos uma imensa capacidade de amar símbolos, pessoas ou coisas, e que, justamente por isso, também somos capazes de muita ilusão.

Quando desejamos ilusões não atingimos a profundidade do nosso desejo. Não devemos apenas pensar nas falsas necessidades que fazem operar nosso desejo, as inventadas pela sociedade em seu modo de produção atual. Devemos pensar nos valores que impomos a quem não é como nós somos e que compõem nosso desejo. A atenção crítica a si mesmo e ao outro precisa de óculos cuja lente seja a liberdade de ser que é direito de cada um. A liberdade do outro é onde inicia a minha.

[1] Publicado em Vida Simples em 2008.