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19 abril, 2011

Tentando deixar o dia seguinte ser só o dia seguinte...




Acabei de ler essa frase da Tati Bernardi no blog "A menina por trás da vidraça":

“Ele gosta dela. Não tem mais como fugir. É, dá medo. Ela deve estar com medo também. Gostar é começar o inferno tudo de novo. Mas ela, quem diria, escreve lá no texto que topa. Topa começar tudo de novo.”

E fiquei aqui pensando quando é que a gente começa a gostar? Primeiro fiquei meio preocupada porque passei um bom tempo sem nem saber por onde começar a responder e sem nem sequer lembrar de alguma sensação que pudesse me ajudar a definir esse momento...

O momento em que alguém passa de só mais uma pessoa entre as tantas outras bilhões de pessoas, para 'aquela' pessoa em que você anda pensando demais, que te desconcerta só com o 'bom dia' corriqueiro de todo dia, que te faz ficar sem graça simplesmente por lhe oferecer ajuda, e que de alguma maneira mágica combina com todas aquelas músicas que você vinha ouvindo e pareciam tão vazias, sem personagem sabe?
Acho que é exatamente por aí que começa...

Não sei, você tem alguma coisa diferente, que desde que fomos apresentados eu não queria descobrir o que era. Afinal, lá no fundo eu já sabia que isso poderia dar errado ou certo demais... Talvez por isso quando te conheci a primeira coisa que pensei foi: 'Estava indo tudo bem até agora', o que pode ser traduzido por: "Estava tudo sob controle e você respresenta uma grande possibilidade de me tirar esse chão sem graça, e esse céu cinza que eu tanto adoro e as minhas músicas sem personagens'. Porque de verdade, não tem nada que me deixe com mais medo do que não controlar o que eu sinto... Ainda que seja um controle ilusório.

Acho que as suas camisetas e o seu All Star tem culpa no cartório também, e esse jeito 'sorrindo' de levar a vida, sempre descontraído... E essa sensação de querer estar perto sem pretensão alguma? Ok, quase sem pretenção alguma. Mas é sério, não te conheço, sei poucas coisas sobre você e a única coisa que sinto vontade agora é de saber mais...
Pela primeira vez não me importa onde isso possa dar, importa que no meio desse caos do  mundo a gente se encontrou e talvez essa seja a grande sacada. Pouco me importa o que seremos, mas que pelo menos aproveitemos esse encontro. Queria poder dizer que topo... topo começar tudo de novo, seja lá o que isso signifique. Prometo que vou trabalhar nisso... Mas quer saber? Não sou muito boa com promessas...

20 março, 2011

...



Você não sabe, nem sonha, mas você acaba de zerar minha vida. Minha vida era vestir a armadura e relembrar com dor pela milésima vez todos os últimos podres de todas as pessoas podres que passaram ultimamente pela minha vida. Você acaba de zerar tudo. Com a parte mais quente das suas costas, com o seu medo de beijo na orelha e com o seu jeito de se desculpar por falar demais e balançar os pés, você acaba de me salvar.

Este texto é pra te falar uma coisa boba. É pra te pedir que não tenha medo. Sabe esses textos que eu publico aqui falando bobagem? Sabe esses textos falando que eu sei disso e sei daquilo? Eu não sei de nada. Eu só queria ser salva das pedras, eu só queria aprender a pegar carona nas ondas. Eu só queria poder chegar em casa e ver tudo diferente. Ver tudo bonito. Ver tudo como de fato é. E você salvou minha vida.

O mundo está lindo. Não tenha medo. Eu só queria que esta minha vontade de perdoar o mundo durasse. Hoje eu não odiei o Bradesco, a Vivo, meus pais, o IPTU, o motoqueiro que me manda ir mais para o lado, o cara que fala caipira, aquela garota que você sabe quem é. Hoje eu não odiei nada nem ninguém. Eu apenas fiquei lembrando, a cada segundo, que você se desesperou pra encontrar meu brinco de coração. Você quis encontrar meu coração pequenininho no escuro. E você encontrou. E você salvou meu dia, minha semana. E salvar meu dia já são zilhões de quilômetros. Você é meu herói.

Não tenha medo deste texto. Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu quero te fazer. Nem de eu ser assim e falar tudo na lata. Nem de eu não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer. Nem de eu te beijar como se a gente tivesse acabado de descobrir o beijo. Nem de eu ter ido dormir com dor na alma o fim de semana inteiro por não saber o quanto posso te tocar. Não tenha medo de eu ser assim tão agora. Nem desse meu agora ser do tamanho do mundo. Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o lugar da minha canga. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar. Tá guardado. O da canga e de todo o resto. (...)

Hoje, depois de muito tempo, eu acordei e não me olhei no espelho. Eu não precisei confirmar se eu era bonita. Eu acordei tendo certeza. Não tenha medo. Eu sou só uma menina boba com medo da vida. Mas hoje eu não tenho medo de nada, eu apenas fecho os olhos e lembro de você me dando aquela flor, fazendo piada ruim às sete da manhã, me lendo no escuro mesmo com dor de cabeça. Eu posso sentir isso de novo. Que bom.

Achei que eu ia ser esperta pra sempre, mas para a minha grande alegria estou me sentindo uma idiota. Sabe o que eu fiz hoje? As pazes com o Bob Marley, com o Bob Dylan e até com o ovomaltine do Bob's. As pazes com os casais que se balançam abraçados enquanto não esperam nada, as pazes com as pessoas que não sabem ver o que eu vejo. E eu só vejo você me ensinando a dar estrela. Eu só vejo você enchendo minha vida de estrelas. Se você puder, não tenha medo. Eu sou só uma menina que voltou a ver estrelas. E que repete, sem medo e sem fim, a palavra estrela no mesmo parágrafo. Estrela, estrela, estrela. Zilhões de vezes.

Tati Bernardi

03 março, 2011

Sempre as pessoas...




(Image by Jasper James)
(...) Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente...
Tati Bernardi

Tenho pensado muito exatamente nisso... nas pessoas que perdi pelo caminho... Na verdade, pensei que depois que uma pessoa participa/entra/tromba/enrosca/enfim... na nossa vida, fica complicado dizer que a perdemos... Porque vai ter sempre um cheiro, uma música, um olhar, uma chuva, um filme, um qualquer coisa que vai traze-lá de volta... não importa o quão longe ela esteja. Aliás, pensei também em como as pessoas "impregnam"... os perfumes, músicas, lugares nunca mais são os mesmos depois delas... Já reparou?

Mas o fato é que me senti como se nesse caminho todo, existisse um tabuleiro de xadrez e eu estivesse sempre fazendo a jogada errada, e perdendo peça a peça... e fiquei me perguntando o que/quem vai sobrar? Ou se há um novo jogo? Mais pessoas nesse mundo... Não sei se pensar na minha curiosidade de mundo (que de fato existe e é enorme) melhora a fotografia... Fiquei pensando que talvez eu não as queira de modo permanente... Fiquei pensando se quando as quero, elas percebem isso? Se eu consigo demonstrar que as quero participando da minha loucura... Resumindo... descobri que tenho muito medo de não ter habilidade para manter as pessoas na minha vida... pra além das recordações...

02 março, 2011

26 fevereiro, 2011

Eu tenho medo...

 

(Image by Lauri Rotko)

"Eu tenho medo de acreditar em você, de te desejar tanto tanto e acabar descobrindo que eu ainda tenho um coração (...)"
Tati Bernardi