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25 setembro, 2010

Quer levar minha bagagem ou não?




(Antes do Amanhecer)

Fico pensando que às vezes o mundo realmente conspira sabe?
Durante a semana numa coincidência maluca que envolveu um post da Carol e a amizade da Cláu (ela precisava ter um blog, se eu contar ninguém acredita na imaginação dela!), assisti 'Antes do Amanhecer'. Ou seja, acordei suspirando, fui trabalhar suspirando, tomei bronca suspirando... Ok, depois me irritei com o trânsito na volta pra casa... suspirando.
Passei pelo blog da Carol, pelos seus livros e sonhos e li sobre as declarações de amor que ela (e tenho que confessar que eu também) gostaria de receber... quem é que não gostaria? Passei pelo blog da Luana e li seu post, onde ela chega a conclusão que ' amar é não saber'. Viajei mais um pouquinho até o Coeur de Poètesse, onde a Kenia deixou o 'Recado da moça do telhado': 'Encontre-me no telhado para o nascer do sol'. Quem recusaria esse convite? Cheguei até 'Aquela menina com uma flor' e li o post em que a Flávia fala sobre solidão. E aí tive que correr pra cá! (Obrigado meninas, por me fazerem pensar nisso, acho que andava mesmo precisando [rs])

Na verdade, amor, romance, seja lá o nome que essas 'coisas' tenham, definitivamente não são seja que eu queira colocar em pauta no momento. Entretanto, fico pensando que falo isso como se houvesse mesmo possibilidade de se isolar da conspiração planetária pra que a gente pense, sonha, sinta e pire nisso....

Na verdade a única coisa que parece fazer sentido para mim agora é a idéia de que alguém possa compartilhar a maluquice da sua vida com a minha maluquice sabe? E compartilhar não significa substituir nada, trocar nada, deixar nada, simplesmente perceber que em alguma coisa, de alguma maneira a gente pode funcionar bem junto. E fazer desse dia a dia mais divertido, encontrar outros significados, outras possibilidades...

Do tipo perceber que o seu all star azul combina com o meu preto de cano alto, ou sentir muita vontade de continuar aquela conversa que não terminamos ontem e ficou pra hoje, ou perceber que eu acertei o pulo quando te encontrei, ou saber que as coisas podem melhorar se quando eu estiver triste você simplesmente me abraçar, ou num dia inesperado pisar numa poça e você me estender sua mão, perceber que meus olhos brilham e que eu vejo o céu no chão, talvez assumir que não te conheço, mas te quero, ainda mais por isso, e poder te pedir pra dizer que você me quer (porque eu te quero também), ou simplesmente me dizer o que é o sufoco, ou sossego, ou seja lá o que for, pra que eu possa te mostrar alguém afim de te acompanhar.

No fim das contas, acho que não deve haver nada de tão sensacional, espetacular, ou de outro mundo sabe? Não que o amor, ou seja lá o que for não tenha a sua magia. Claro que tem. Mas no fim, eu acho que talvez seja só a alegria, a sensação boa de ‘se ver’ em outra pessoa. E não porque essa pessoa seja como eu, ou porque eu queira que ela ou eu nos tornemos outras pessoas, mas simplesmente porque o que eu sou faz sentido pra ela naquele momento, e vice versa. Mas outro dia penso mais sobre isso...
Um super final de semana pra gente!

Ah, minha declaração de amor ideal no momento? Terei que emprestar da Tiê...

Dois
Tiê

Como dois estranhos, 
Cada um na sua estrada,
Nos deparamos, numa esquina, num lugar comum.
E aí? quais são seus planos?
Eu até que tenho vários.
Se me acompanhar, no caminho eu possso te contar.

E mesmo assim, queria te perguntar,
Se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar,
Se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?

E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.

E mesmo assim,
Queria te contar que eu talvez tenha aqui comigo,
Eu tenho alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.

09 setembro, 2010

O que você mais quer?



(Imagem by Simon Bond)

Era uma festa familiar, destas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia. "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Martha Medeiros

28 julho, 2010

Até o Fim?



Até o Fim
Chico Buarque

'Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim'.

Já reparou que tem dias que parece que a vida está mesmo brincando com  a gente?
Como se quando acordassemos um anjo safado estivesse ao nosso lado prontinho pra se divertir?
E assim o dia segue, cheio de coisas que fazem você pensar: 'não, não pode ser verdade!?' ou 'não, só poderia estar acontecendo comigo!? Tem dias em que a sensação é essa... de que já de saída a estrada entortou... Mas, vamos lá... até o fim, seja lá onde for... [rs]
E quem sabe é possível se divertir junto com o anjo... às vezes é!

26 julho, 2010

(...)


(E não é que quando menos esperávamos ela floresceu?
Difícil reparar nas flores quando estamos tão acostumadas com o verde das folhas né?)


Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.

Carlos Drummond de Andrade


Estava aqui pensando na minha dificuldade em me expressar. Já reparou que há pessoas que parecem ter passado nas filas da graça, da clareza, da eloquência,  pelo menos um milhão de vezes? Enquanto você parece ter se escondido quando essa oportunidade surgiu. Já treinando claro, pra se esconder quando essas oportunidades surgissem na Terra. Carlos Drummond de Andrade deve ter sido do primeiro grupo (palpite, não faço a menor idéia), nem que fosse somente para escrever. Mas ok, por esse poema talvez tenhamos algo em comum. Olha quem diria que eu teria algo em comum com Drummond? (Ok, só suposição [rs]).

Eu certamente sou do segundo grupo. Daquelas pessoas que rezam internamente (e externamente se for necessário) para não serem chamadas para falar em público, que rezam para não ter que pedir informações ou fornecê-las (ainda mais sobre caminhos, dada a a minha eterna dificuldade com direita e esquerda), rezam para passarem desapercebidas nos diferentes ambientes, que diga-se de passagem, quanto mais diferentes mais desesperam! 

Mas que é claro, talvez por rezarem tanto acabam sentando na última fileira e sendo o motivo de piada do palestrante que acredita ser original por resolver tirar sarro das pessoas que como eu sentam no fundão. Acabam sendo o bode expiatório da aula, sem nunca descobrir porque, afinal tudo o que fizemos foi rezar e sentar mudas em alguma carteira distante do foco, pedindo internamente para que houvessem poucos seminários durante o semestre Afinal já teríamos que nos preocupar com o que fazer nas outras horas... festas, multidão de pessoas na cantina, pessoas naturalmente alegres, desinibidas, que nos fazem perguntar o tempo todo, porque será que eu não sou assim?

Talvez isso venha de uma adolescência não muito popular, de várias festinhas sentada em qualquer canto que tivesse um lugar para apoiar (preferindo mil vezes estar dormindo), certa falta de coordenação pra dançar, o espelho quebrado da academia que o diga, certa vergonha de 'respirar' perto de pessoas desconhecidas. Sabe aquele apelido imbecil de bicho do mato? Enfim, essas experiências que hoje para para melhorar dizemos que 'o que não nos mata fortalece', certo? [rs]

A verdade é que nem com as palavras em mente, falar para mim é fácil. Nunca é. Esse blog tem sido um exercício interessante e inesperado pra mim. Tem sido ótima a experiência essa de trocar com vocês. Mas ao mesmo tempo me fez perceber que continuo com essa dificuldade maluca de dizer o que quero, o que não quero, o que sinto, o que tenho medo de sentir, o que penso... E comecei a pensar (antes só pra mim, agora com vocês) que talvez tenha me acostumado a ser assim, só não me acostumei com a idéia de talvez (certamente, no meu caso) não conseguir expressar o que eu sinto, seja lá como for. A pessoa indo embora ou não. De qualquer maneira, o momento vai, e talvez aquele fosse o momento de falar.

O que resta é talvez pensar que sentir, querer, sonhar talvez já seja alguma coisa e que uma hora dessas fique mais simples dividir isso... e que outros momentos virão...

Tudo isso pra dizer pra uma amiga que ela é muito importante pra mim, viu? Independente de como eu (não) demonstre isso às vezes!? Vamos combinar que não dá pra se ficar todas as filas né, e certamente eu fiquei naquela que me fez encontrar pessoas como você!

Obs.: Às vezes as flores aparecem viu!? Deve fazer parte desse ciclo maluco da vida! Aproveite, ok? Você merece muito! Novas pessoas terão a sorte de poder conviver com você diariamente e as companhias telefônicas terão a sorte de sermos amigas e continuarmos fofocando todos os dias, certo?!

16 junho, 2010

Completamente feliz?



(Image by Elizabeth Kraft)

Completamente feliz
em todos os aspectos da sua vida
não, isso você nunca sentiu
se de amor está perdido
ainda assim falta um botão na camisa
e sendo tão bem correspondido
certamente deixou pra trás
algum caso mal resolvido
se acertou na profissão
mesmo assim ficou devendo um favor
a um amigo
e se tem confusão
em algum lugar do planeta
não se iluda
de alguma maneira você deve estar envolvido.

Martha Medeiros

30 maio, 2010

Coisas que nos dão prazer...



(Show Orquestra Arte Viva, Nando Reis, Paula Toller e Roberta Sá, Ibirapuera - SP)


Não sei se pra todo mundo, mas imagino que pra muita gente, o dia a dia se torna uma loucura e acabamos deixando de fazer coisas que nos dão prazer. A pior parte poderia estar aí: em não se fazer coisas que nos dão prazer. Mas existe uma parte ainda pior do que essa... Que é aos poucos irmos esquecendo que coisas são essas...

Do que gostamos, o que queremos, pelo que nos mataríamos, por que coisa enfrentaríamos chuva, sol, filas, que momentos valem cada segundo... Enfim, o que gostamos de fato de fazer. Me dei conta que tenho a sorte de ter pessoas muito especiais! Lembrei de conversas especiais, risadas especiais, silêncios especiais.

Quando estava sentada na grama, praticamente torrando no sol, naquele parque lindo olhando/sentindo/ouvindo o show... Me dei conta do valor que esses momentos possuem pra mim. Sabe quando a gente arrepia, para de raciocinar, canta sem perceber, pensa sem querer... Enfim, de alguma maneira maluca a gente se sente bem!

Fiquei pensando que são esses momentos que fazem grande parte do caminho valer a pena. Tem a parte chata/ruim/sem graça sim, não esqueci dela (nem tem como né?) mas, quando estava voltando, ouvindo "Mosaico Abstrato", a música nem fala disso na verdade (eu acho...), mas fiquei pensando que a nossa vida é feita também disso. Desses momentos malucos, que vão se juntando num mosaico abstrato e vão dando um sentido especial pra essa correria... que é a nossa vida de cada dia.

Trilha sonora do retorno pra Campinas...

Mosaico Abstrato
Nando Reis

Todo sonho é feito de estilhaços
Do que o olho crê
Que a imagem
Faz no espaço,
E o tempo encontra
No ar que passa
Invisível,
Peso e cor

Todo encontro é o jeito do acaso
Achar no sonho
Uma miragem
Onde o oásis
Água inventa
O mar do nada é
Impossível
Erro e dor

E o que era longe hoje só é aqui
Tem rosto
E nome
De um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim
Como o beijo e abraço
No tempo que passa
Lento e à jato

No gesto que toca
A gente na alma
No modo, dois jeitos
E diferentes
É que somos
Iguais

Livros lidos
Discos preferidos
Filmes vistos
Sempre
Um
Sinal

Indo e vindo
vivo ouvindo
O instinto
Mesmo quando
Não tava entendendo nada
Mesmo quando não entendo nada
Agora eu sei que não entendo mais de nada
Só o que diz
O lábio no beijo
No sopro
A paixão