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19 janeiro, 2011

Medo do que dá medo...



(Image by Kei Hiramatsu)


Há o certo, o errado e aquilo que nos da medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece.
Martha Medeiros

17 outubro, 2010

Medo...



(Image by Seiya Kawamoto)

Houve um tempo em que o medo era de cair...
Houve um tempo em que o medo era de estar lá embaixo...
Houve um tempo que o medo era levantar...
Chegou o tempo do medo de não saber o que fazer quando estiver em pé novamente.

21 junho, 2010

Miedo...



(Imagem by Marta Bevacqua)

“Se bastasse falar do medo para superá-lo, já estaríamos livres deste sentimento há muito tempo. É impossível viver sem ele. Podemos dizer que o medo faz parte daquelas razões do coração desconhecidas da razão que rege os pensamentos” (Marcia Tiburi, A forma mais comum do medo é o medo do medo).

Estava conversando com uma amiga (muito querida por sinal), e o tema era medo! Achei que o foco fosse romance, claro, romance também, mas muito mais medo! Já reparou como sentimos medo de quase tudo? Medo de gostar de alguém, medo de não gostar de alguém, medo de não gostar o suficiente, ou de gostar demais, medo de perder a amizade, medo de contar que gostamos e medo dele nunca saber disso... isso só falando em gostar...

Sem contar os medos que sentimos em casa, na rua, sozinhos deitados no quarto, no banho, no supermercado, no trabalho... medo de não dar certo, medo de dar certo, medo errar, medo de acertar e não saber o que fazer, medo de não dar conta, medo dos desafios, medo das novidades que por mais que nos movimentem nos deixam inseguros... Afinal, estamos diante do desconhecido, ou muitas vezes do “não conhecido muito bem” e honestamente acho que nos acostumamos com a segurança do saber, do conhecer e no meu caso (que também é o caso de todas as pessoas que insistem em prever o futuro) imaginar o resultado!

Sabe que além da Martha de quem nem dá pra perceber quase que gosto muito, tenho lido alguns textos da Marcia Tiburi e gostado muito também. Ela escreveu um artigo sobre o medo intitulado “A forma mais comum do medo é o medo do medo” e só posso concordar que é!

Antes de termos medo, temos medo de sentir medo!!! E não sei como nunca reparei nisso! A srta medrosa! Sempre duvidando de tudo, sempre pensando nas piores possibilidades (o que na minha teoria me deixa pronta pra parte ruim e pra curtir os bons resultados ‘inesperados’, se eles existirem claro!), sempre com medo! Ah o inesperado! Esse me apavora! Benditos imprevistos! Me tiram o chão, que já parece querer fugir dos meus pés naturalmente e sem muito esforço.

E enquanto estávamos conversando percebi o quanto é fácil encorajar os outros e o quanto o medo do outro nos parece mais simples de resolver. Impressionante né!? Já reparou quantos amigos encorajamos o tempo todo, mas lá no fundinho pensamos ‘será que eu teria coragem?’, ou ‘será que vai dar certo?’. Mas lá no fundo de novo (nem tão no fundo assim na verdade) acreditamos sinceramente que eles são capazes! E que pode dar certo! E ainda bem que o movimento é esse, porque mil outras vezes somos nós os encorajados a arriscar! E no fim... do chão ninguém passa.

E o pior é não consegui pensar em nada pra amenizar esse medo todo que não seja conviver com ele, enfrentá-lo (às vezes e quando nos parecer - ainda que ilusóriamente e encorajados pelos nossos amigos - seguro [rs]) e ter paciência! E aí a Marcia tem razão novamente ao nos alertar que...

“Podemos odiar o medo, querer extirpá-lo de nossas vidas, mas nem sempre o fazemos pela via mais simples, porque é muito difícil combater um sentimento. Melhor, quando se trata de sentimentos, aprender a conviver com eles. Um sentimento cresce na exata proporção em que o negamos. Torna-se mais leve quando o aceitamos. É a única chance de que nos deixe em paz”. (Marcia Tiburi, A forma mais comum do medo é o medo do medo).
 
Pra nos ajudar a pirar...

Miedo
Lenine e Julieta Venegas
Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

"Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo"

17 maio, 2010

Pijamas, medo e frio...



(Imagem by Rolf Sjogren)

Atualmente (difícil precisar atualmente, deixa pra lá) as únicas coisas capazes de me deixar de bom humor são: pijamas, sofá e edredom. Ok que não é nada mal né? Mas hoje acabei comprando três pijamas. Por alguma razão maluca adoro pijamas! Mas, o que eu vou fazer com tantos pijamas? Tudo bem que acabo levando o cachorro passear praticamente dormindo e logo cedo de pijama ainda, afinal os únicos "quase" acordados no mundo somos nós dois praticamente, então... Vamos combinar que esse frio é um convite perfeito pra não se sair de casa e para se comprar pijamas! Engraçado como tem momentos da vida (ok que o frio colabora) em que a única coisa que a gente queria é ficar dentro de casa, num casulo, com a gente mesmo. Duas hipóteses: você tá bem e quer muito descansar e curtir o frio... ou as coisas não estão tão boas... e você mal sabe que ficar sozinha com você mesma pode ajudar a complicar um pouquinho mais. Nem tinha percebido o que ficar só comigo pode me trazer, mostrar, provocar, enfim...

Já sentiu medo de não conseguir viver tudo o que você poderia? Ok, como se você soubesse tudo o que poderia. Mas, medo mais estranho e contraditório esse! Parece que de repente as coisas começam a “acontecer” ou seria “não acontecer” de maneira tão rápida que em algum momento você se perdeu, só não consegue enxergar onde... e várias coisas acontecendo... e não acontecendo e você imaginando o que queria que acontecesse e o que não vai mais acontecer... é, achando que tem o dom divino de prever o futuro, ou alguma bola de cristal escondida no bolso. Que não seja o dom, mas que mania maluca é essa que você tem de imaginar o futuro? E o pior, passar raspando quase sempre...

Pode parecer um misto de desanimo, com saco cheio e falta de imaginação... Mas na verdade é só falta de uma perspectiva mais interessante no momento, literalmente. Não que ela não exista, mas sabe como é, ilusões de ótica fazem parte do percurso. E lá chegamos novamente a um querer não se sabe o que, mas um medo certeiro de não conseguir isso que não se sabe... Tudo bem que ouvir "As Melhores Coisas" do Arnaldo Antunes me fez querer voltar pros 16 anos... Quem diria que chorar na escada do colégio por alguém que pensava não poder viver sem e que hoje nem me lembro mais pudesse parecer tão interessante agora? Escola, amigos, uma série de coisas pra querer (ainda que desde lá não conseguisse identificar muito bem). Tudo bem, tenho uma série de coisas pra querer ainda! E quero!

Bom, lá vamos nós, ilusões de ótica e frio a parte a vida continua... Cheia de dúvidas, das certezas mais incertas, de expectativas confusas... Fico me perguntando o que está nesse momento pra mim entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida... Quando começar a lista eu conto...

Mas... por enquanto, prefiro ficar de pijama e de pernas pro ar... E a previsão é que fique ainda mais frio...

(Image by AAGAMIA)


12 maio, 2010

Ser capaz



(Image by Lorenz and Avelar)


A escritora Hilda Hilst está tendo sua obra reeditada pela editora Globo desde o ano passado, e o primeiro livro a ser relançado foi A obscena senhora D. No texto de apresentação, o organizador das reedições explica por que considerou esse o livro certo para iniciar as publicações: "É uma pancada justa, certeira, para apresentá-la sem meias medidas aos leitores potenciais, capazes dela".

Capazes dela. Capazes de um texto que causa desconforto e desconcerto. Capazes de um texto que execra o bom mocismo. Capazes de absorver uma literatura em nenhum aspecto fácil. Os capazes de Hilda Hilst são capazes de Anaïs Nin, que são capazes de Rimbaud, que são capazes de absorver o delírio, a inquietação e a profundidade de nossas incertezas, portanto incapazes de um Sidney Sheldon.

Não é para falar de livros esta crônica. É para falar de capacidade. Do quanto somos ou não capazes de enfrentar nossas limitações, capazes de noites em claro, capazes de questionar nossa própria sanidade. Do quanto somos incapazes para fórmulas prontas, incapazes de concordar cegamente com o que parece fazer sentido, incapazes de dizer amém.

Do que você é capaz?

Sou capaz de quase tudo, talvez até de matar e morrer se a dor for insuportável. Sou capaz para o ilegal, o imoral e o insano, só não me sinto capaz para o injusto. Sou capaz de coisas que jamais farei, como me atirar de para-quedas de um avião, beber óleo de fígado de bacalhau e injetar silicone nos lábios, apenas nunca farei porque não há o que me motive.

Sou capaz para o segredo, sou capaz para o inferno, sou capaz para o silêncio, sou capaz para o irrecuperável, sou capaz para o fracasso, sou capaz para o medo, sou capaz para o bizarro. Minha incapacidade é para a frescura, para a fofoca, para a vaidade, para a seriedade que conferem ao que é irrelevante, quase tudo que está à vista.

Sou capaz para o que não conheço e torno-me incapaz para o que conheço bem demais. Sou pouco capaz para a matemática, para a física, para a culinária, para a religião. Talvez seja capaz para a mediunidade, mas nunca tentei. Sou capaz para a loucura, mas costumo frear a tempo. E, quando preciso de solidão, sou capaz de me declarar inábil para tudo o mais, na esperança secreta de ser deixada em paz.

Martha Medeiros


Do que você é capaz?


Ontem estava chateada com o planeta, nem vou falar com o que exatamente porque não sei, por isso melhor englobar todo o planeta (sou controladora, prefiro pecar pelo excesso). Tenho alguns livros da Martha que ficam ao lado da minha cama, e geralmente leio alguma coisa antes de dormir, nos momentos de raiva, e quando me sinto bem também... E acabei lendo esse texto hoje... Provocada pelo título: “Ser capaz”. Acho que “do que somos capazes” é uma pergunta que nos fazemos demais (de menos às vezes) durante a vida.


Tudo bem que do alto dos meus 26 anos, não é exatamente “durante a vida”, mas digamos que se trate de uma experiência significativa. Na realidade o que me intrigou é que a cada dia encontramos novas respostas para essa pergunta... E em compensação continuamos à fazê-la, mais e mais. Fiquei pensando em quantas coisas deixamos de fazer por conta justamente de questionar a nossa capacidade. E talvez em quantas outras nos encorajamos justamente por nos sentirmos capazes... E o quanto esse pergunta chata, confusa, provocadora, encorajadora... nos movimenta.


Continuo sem conseguir pontuar exatamente do que sou capaz (ainda que a Martha dê conta de algumas coisas muito bem...) sou capaz de insistir quando acredito (é, teimosia pode ser uma virtude), de brigar pelo que penso, de deixar o medo falar mais alto às vezes... Sou capaz de sobreviver a situações que jurava que me tirariam o eixo pra sempre (que o diga minha terapeuta), sou capaz também de desistir das coisas mais hipotéticas do planeta, só por pensar que não era capaz...  Entretanto, para o equilíbrio do planeta (mais especificamente do meu equilíbrio e por sua vez dos outros na minha órbita) sou capaz de ser capaz quando não acreditava que seria, e de sobreviver quando não o sou...


Sou capaz de convencer as pessoas de algumas maluquices (na maioria das vezes boas), sou capaz para a dor, para rir de coisas boas e ruins, sou capaz de pensar em 234 mil hipóteses antes de tomar uma decisão, capaz de imaginar as coisas mais piradas do planeta (tá vendo como sou exagerada?), sou capaz para o exagero também, e é claro capaz de parar às vezes antes desse exagero se concretizar. Mas sou incapaz para a espera, para a dúvida, para o que me provoca medo.  


Queria muito dizer que não sou capaz de ir contra o que penso, o que quero e o que sinto, mas parece que capacidade mesmo eu tenho para ser humana... e assim, às vezes ser incapaz de fazer o que eu mais queria. Entretanto, gosto de pensar na possibilidade de a qualquer hora dessas fazer coisas que nunca pensei que seria capaz...