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12 abril, 2011

Talvez eu possa...




Quando começa a ficar bom ou eu desconfio ou dou um passo para trás.
Clarice Lispector

Medo do quê??? Eu só queria entender isso, nem que fosse só um pouquinho. Porque nesses 27 anos de nada adiantou ser a pessoa mais cuidadosa, e pensar e repensar 234 vezes antes de tomar qualquer decisão...

Sabe quando só uma vez na vida você queria ser a pessoa que não pensa? Que vive? Que sente? Que se joga e vê o que acontece, porque no fundo sabe que do chão não vai passar e diferente de mim, paga pra ver... Eu fico lendo, ouvindo e vendo histórias acontecerem, e as pessoas viverem...

Enquanto eu, fico aqui! Plajejando 876 quedas diferentes, e estudando qual a melhor maneira de sofrer menos, sem nem perceber (ou quase) o sofrimento que é não pagar pra ver... Não viver, não sentir...

Fiquei aqui pensando o que é que me faz paralisar diante das possibilidades... Não exatamente paralisar, mas dar esse bendito passo para trás... ou desconfiar...  sempre desconfiar... Fico lembrando da sua cara me olhando como se eu representasse mesmo uma possibilidade de começar de novo, ou simplesmente de ser feliz naquele momento, de viver, e eu ali, tentando racionalizar que não devia significar nada... nem pra você e nem pra mim... 

Fico lembrando de mim, do meu desespero cada vez que algo me faz sentir viva, exatamente da maneira como eu tenho medo... De como olho para as histórias ao meu redor e desconfio que essas coisas aconteçam de verdade... E do pensamento seguinte que é: 'tanto faz'. 'Eu estragaria mesmo se elas acontecessem...'. Lembro de alguém me dizendo que eu não posso afastar as pessoas pra sempre... Uma novidade pra você: talvez eu possa.  

13 janeiro, 2011

...



(Image by Piotr Powietrzynski)

Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem.
Martha Medeiros

05 janeiro, 2011

Do tamanho do mundo?



(Image by Eric Eric McNatt)

Não me sentindo mais tão pequena...
E percebendo que o mundo é mesmo grande e cheio de possibilidades...
Pode chover...

03 janeiro, 2011

Tempo



(Relógio by ahahahlenaII)

"Às vezes eu queria parar o tempo...
Mas o mundo só anda pra frente, e a gente não avança sem deixar algumas coisas pra trás..."

31 dezembro, 2010

Em 2011...



(Image by John Kelly)


Desejo que desejes...
(Martha Medeiros)

Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido, desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado depois de correr ou um abraço ao chegar em casa, desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.

Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que, ao sabê-los impossíveis, não os leve em consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração, desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.

Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, pois através deles somos puxados pra dentro, eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.

Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja, mas que o desejo pelo encontro seja sincero, que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas, que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja convivência pacífica com outros que desejam outras coisas.

Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma, mudanças são temidas, mas não há outro combustível para essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente, não reprima teus pedidos ocultos,  desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo, antes de tudo, que desejes, simplesmente.

10 outubro, 2010

Se nada passa... Nunca se leve tão a sério...

Talvez um dia eu consiga!



Todos os Caminhos
Lenine
Composição: Lenine/Dudu Falcão

Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos, será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo e o certo é que eu não sei o que virá só posso te pedir que nunca se leve tão a sério nunca se deixe levar, que a vida é parte do mistério, é tanta coisa pra se desvendar

Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro, o escuro que se vê quem sabe pode iluminar os corações perdidos sobre o muro e o certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nunca se leve tão a serio, nunca se deixe levar que a vida, a nossa vida passa e não há tempo pra desperdiçar.

Nada passa?



(Image by Nichola Sarah)

Feriado prolongado + faxina + alguns achados + filmes + cobertas + chocolate quente = pensamento longe e lembranças!
Faz tempo que não passo por aqui. Pra dizer a verdade passar eu passo, faz tempo que não consigo parar por aqui. E pra completar a 'verdade' a vida anda muito corrida. Nesse sentido não tem me deixado dúvidas de que ela 'passa', e rápido.  Há algumas semanas estava fazendo planos para o feriado e de repente acordei nele e percebi que não tive exatamente tempo de fazer os planos. O que para mim é importante, já que sou do tipo de ser humano que gosta de planejar tudo. Assisti alguns filmes (muitos na verdade) que me fizeram pensar que a vida de fato passa rápido, e que de novo os encontros malucos que ela nos proporciona fazem cada segundo dessa 'corrida' ter valido à pena de alguma maneira.

Entretanto, quando fui arrumar as minhas coisas (algo que pelo jeito farei até morrer, porque parece uma arrumação interminável) me dei conta de que até mesmo os encontros que não aconteceram, as ausências, são também 'momentos' que valeram à pena. Talvez nos façam perguntar pelo que poderia ter sido, por como poderia ter ou não sido... Mas o fato é que fazem parte desse nosso quebra cabeça maluco e muitas vezes sem sentido. Não sei porque fiquei pensando nisso, mas lembrei dessa crônica da Martha e acho que ela tem toda razão quando diz que 'Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças'. No fim das contas, fiquei pensando que tanto faz se passa ou não, o que importa é que faz parte do que somos, independente de qual parte seja...

Tempo sujeito a chuvas, vento e mais algumas lembranças por aqui. Planos? Comer, rezar e amar... Ou dormir, ver mais filmes e aguardar (ou buscar) as próximas peças!

Nada passa

Uma das músicas mais bonitas da MPB é aquela composta pelo Nelson Motta e cantada pelo Lulu Santos, que diz que na vida tudo passa, tudo sempre passará como uma onda no mar. Linda. Mas é mentira.

A garota está sofrendo o diabo porque brigou com o namorado e a mãe consola com a frase de sempre: vai passar. O garoto levou bomba no vestibular e o melhor amigo diz: na próxima vez você passa. Analisando superficialmente, é verdade, a dor, um dia, cessa. Mas não se iluda: ela não bateu as botas, está apenas cochilando. Tudo passa? Nada passa!

É isso que ninguém tem coragem de nos dizer. A dor da perda, a dor de fracassar, a dor de não corresponder a uma expectativa, a dor de uma saudade, a dor de não saber como agir, de estar perdida, instável, de ter dúvidas na hora de fazer uma escolha, todas estas dores, que parecem pequenas para quem está de fora, nos acompanharão até o fim dos nossos dias. Elas não passam. Elas ficam. Elas aninham-se dentro da gente, o que não deve servir de motivo para pularmos de uma ponte. Mario Quintana escreveu que nós somos o que temos e o que sofremos. Sem dor, sem vida interior.

Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.

(Martha Medeiros)

29 setembro, 2010

Mais pirações de uma aula...



(Image by Matthias Clamer)

'Há muitas maneiras de resistir. Há muitas maneiras de gestar resistências, de ser resistente. De maneira geral, pensamos que há tantas maneiras de resistir quantas forem as forças que tomamos como contrárias, seja porque elas nos impedem de realizar algo, seja porque elas nos obrigam a realizar algo'.
WMOJ

23 setembro, 2010

Procura...



(Image by Kazuhiro Tanda)

Sempre corri atrás de mim
como uma criança
atrás de um balão levado pelo vento
eu era o vento e não sabia.

11 setembro, 2010

Sentir-se capaz!?



(Image by ZenShui - Laurence Mouton)

Tenho pensado muito ultimamente nas minhas possibilidades, 'do que eu sou capaz?'. Acho que períodos de grandes mudanças nos provocam a pensar nisso...
Coincidentemente recebi por email essa semana uma crônica da Martha que se chama 'Ser capaz'. (Aliás, obrigada viu!? Estava mesmo precisando me lembrar de algumas coisas!). E entre essas coisas me lembrei que quando comecei o blog escrevi sobre isso... Voltei pra ler e acho que descreve muito o eu tenho pensando e sentido ultimamente!
Obs.: Só não estou mais chateada com o planeta... pelo menos hoje não! [rs]

Do que você é capaz?

Ontem estava chateada com o planeta, nem vou falar com o que exatamente porque não sei, por isso melhor englobar todo o planeta (sou controladora, prefiro pecar pelo excesso). Tenho alguns livros da Martha que ficam ao lado da minha cama, e geralmente leio alguma coisa antes de dormir, nos momentos de raiva e quando me sinto bem também. E hoje acabei lendo eese texto, provocada pelo título: “Ser capaz”. Acho que “do que somos capazes” é uma pergunta que nos fazemos demais (de menos às vezes) durante a vida.

Tudo bem que do alto dos meus 26 anos, não é exatamente “durante a vida”, mas digamos que se trate de uma experiência significativa. Na realidade o que me intrigou é que a cada dia encontramos novas respostas para essa pergunta. E em compensação continuamos à fazê-la, mais e mais. Fiquei pensando em quantas coisas deixamos de fazer por conta justamente de questionar a nossa capacidade. E talvez em quantas outras nos encorajamos justamente por nos sentirmos capazes... E o quanto esse pergunta chata, confusa, provocadora, encorajadora... nos movimenta.

Continuo sem conseguir pontuar exatamente do que sou capaz (ainda que a Martha dê conta de algumas coisas muito bem...) sou capaz de insistir quando acredito (é, teimosia pode ser uma virtude), de brigar pelo que penso, de deixar o medo falar mais alto às vezes... Sou capaz de sobreviver a situações que jurava que me tirariam do eixo pra sempre (se é que eu tenho um), sou capaz também de desistir das coisas mais hipotéticas do planeta, só por pensar que não era capaz. Entretanto, para o equilíbrio do planeta (mais especificamente do meu equilíbrio e por consequência dos outros na minha órbita) sou capaz de ser capaz quando não acreditava que seria, e de sobreviver quando não sou...

Sou capaz de convencer as pessoas de algumas maluquices (na 'maioria' das vezes boas), sou capaz para a dor, para rir de coisas boas e ruins, sou capaz de pensar em 234 mil hipóteses antes de tomar uma decisão, capaz de imaginar as coisas mais absurdas do planeta (tá vendo como sou exagerada?), sou capaz para o exagero também, e é claro capaz de parar às vezes antes desse exagero se concretizar. Mas sou incapaz para a espera, para a dúvida, e na maioria das vezes... para o que me provoca medo.

Queria muito dizer que não sou capaz de ir contra o que penso, o que quero e o que sinto, mas parece que capacidade mesmo eu tenho para ser humana... e assim, às vezes ser incapaz de fazer o que eu mais queria. Entretanto, gosto de pensar na possibilidade de a qualquer hora dessas fazer coisas que nunca pensei que seria capaz...

09 setembro, 2010

O que você mais quer?



(Imagem by Simon Bond)

Era uma festa familiar, destas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia. "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Martha Medeiros

21 agosto, 2010

Sim ou não?



(Image by Justine Beckett)

Se tivesse que resumir essa semana eu acho que caberia em 'Dia difícil', pra não dizer semana. Bom, dias difíceis não são mais novidade. Talvez essa seja a regra. Talvez assim os dias 'fáceis', bons, gostosos tenham mais sabor.

Estava lendo um crônica da Martha que se chama 'Quanto vale um sim'. Enquanto eu lia foi como se me desse conta de como o 'sim' me provaca medo. Cursioso isso, sempre achei que era o 'não' que me amedrontava.

Sempre me pareceu que o não era transformador. Aquela conversa (que tem lá o seu sentido sim) de que diante de um 'não' temos que dar a volta por cima, encontrar novos caminhos, outras possibilidades, imaginar novos rumos. O poder transformador do não. Mas já se deu conta, já pensou alguma vez no poder do sim? Um sim pode mudar tanta coisa! E talvez por isso ele me assuste.

Em determinado momento a Martha diz que 'há quem fique paralisado diante de um não'. Ok. Ainda que pensemos um trilhão de vezes na possibilidade de ouví-lo, ele de fato paralisa a priore. Um não 'imaginado' é bem diferente de um não 'vivido'. s, e a nossa mania de achar que só porque imaginamos as situações teremos o poder de nos sairmos bem delas...

Honestamente ao ler essa frase percebi que tenho sentido mais medo de paralisar diante de um sim. De 'sim' buscar algo que me realize de verdade, de 'sim' descobrir as coisas que eu gosto, de 'sim' me dar o prazer de fazer as escolhas que sempre tive medo... sempre me escondendo atrás desse falso medo de 'não' dar certo.

No fundo, acredito na possibilidade dos dois. Penso que o 'sim' e o 'não' mudam os nossos caminhos. Mas honestamente, quero tentar viver com menos medo de ambos. Talvez, o que me assute de fato seja a resposta. A resolução. A definição. Afinal, enquanto existe a possibilidade de um 'não', posso seguir imaginando como me levantar, como seguir em frente... e enquanto existe a possibilidade de um 'sim' posso seguir duvidando dela... Mas quando as coisas se definem... aí é que começam de fato as novas possibilidades.

02 agosto, 2010

Segunda-feira



(Image by Michael Chrisman)

Preguiça de levantar...

Frio...

Muito vento...

Cheiro de chuva (mas nada de chuva)...

'Bom dia' animado da cobradora e do motorista do ônibus...

Cochilo gostoso no caminho ouvindo música...

Água de coco comprada às pressas no varejão...

Trabalho, reuniões, trabalho...

Correria pra pagar contas no almoço (realizar um depósito pode ser uma aventura [rs])

Trabalho, trabalho e mais trabalho...

Ônibus de volta pra casa...

Mais vento (bem mais)...

Sopa...

Internet...

Próximo passo: Cama...

Nem parece que já se foi a segunda-feira!?

26 julho, 2010

(...)


(E não é que quando menos esperávamos ela floresceu?
Difícil reparar nas flores quando estamos tão acostumadas com o verde das folhas né?)


Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.

Carlos Drummond de Andrade


Estava aqui pensando na minha dificuldade em me expressar. Já reparou que há pessoas que parecem ter passado nas filas da graça, da clareza, da eloquência,  pelo menos um milhão de vezes? Enquanto você parece ter se escondido quando essa oportunidade surgiu. Já treinando claro, pra se esconder quando essas oportunidades surgissem na Terra. Carlos Drummond de Andrade deve ter sido do primeiro grupo (palpite, não faço a menor idéia), nem que fosse somente para escrever. Mas ok, por esse poema talvez tenhamos algo em comum. Olha quem diria que eu teria algo em comum com Drummond? (Ok, só suposição [rs]).

Eu certamente sou do segundo grupo. Daquelas pessoas que rezam internamente (e externamente se for necessário) para não serem chamadas para falar em público, que rezam para não ter que pedir informações ou fornecê-las (ainda mais sobre caminhos, dada a a minha eterna dificuldade com direita e esquerda), rezam para passarem desapercebidas nos diferentes ambientes, que diga-se de passagem, quanto mais diferentes mais desesperam! 

Mas que é claro, talvez por rezarem tanto acabam sentando na última fileira e sendo o motivo de piada do palestrante que acredita ser original por resolver tirar sarro das pessoas que como eu sentam no fundão. Acabam sendo o bode expiatório da aula, sem nunca descobrir porque, afinal tudo o que fizemos foi rezar e sentar mudas em alguma carteira distante do foco, pedindo internamente para que houvessem poucos seminários durante o semestre Afinal já teríamos que nos preocupar com o que fazer nas outras horas... festas, multidão de pessoas na cantina, pessoas naturalmente alegres, desinibidas, que nos fazem perguntar o tempo todo, porque será que eu não sou assim?

Talvez isso venha de uma adolescência não muito popular, de várias festinhas sentada em qualquer canto que tivesse um lugar para apoiar (preferindo mil vezes estar dormindo), certa falta de coordenação pra dançar, o espelho quebrado da academia que o diga, certa vergonha de 'respirar' perto de pessoas desconhecidas. Sabe aquele apelido imbecil de bicho do mato? Enfim, essas experiências que hoje para para melhorar dizemos que 'o que não nos mata fortalece', certo? [rs]

A verdade é que nem com as palavras em mente, falar para mim é fácil. Nunca é. Esse blog tem sido um exercício interessante e inesperado pra mim. Tem sido ótima a experiência essa de trocar com vocês. Mas ao mesmo tempo me fez perceber que continuo com essa dificuldade maluca de dizer o que quero, o que não quero, o que sinto, o que tenho medo de sentir, o que penso... E comecei a pensar (antes só pra mim, agora com vocês) que talvez tenha me acostumado a ser assim, só não me acostumei com a idéia de talvez (certamente, no meu caso) não conseguir expressar o que eu sinto, seja lá como for. A pessoa indo embora ou não. De qualquer maneira, o momento vai, e talvez aquele fosse o momento de falar.

O que resta é talvez pensar que sentir, querer, sonhar talvez já seja alguma coisa e que uma hora dessas fique mais simples dividir isso... e que outros momentos virão...

Tudo isso pra dizer pra uma amiga que ela é muito importante pra mim, viu? Independente de como eu (não) demonstre isso às vezes!? Vamos combinar que não dá pra se ficar todas as filas né, e certamente eu fiquei naquela que me fez encontrar pessoas como você!

Obs.: Às vezes as flores aparecem viu!? Deve fazer parte desse ciclo maluco da vida! Aproveite, ok? Você merece muito! Novas pessoas terão a sorte de poder conviver com você diariamente e as companhias telefônicas terão a sorte de sermos amigas e continuarmos fofocando todos os dias, certo?!

24 julho, 2010

Garantias?



(Image by 4 Eyes) 


'Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação'.

Clarice Lispector


Que necessidade é essa que sentimos de ter 'garantias'? Ainda que saibamos que elas para nada ou para quase nada servem. Curioso como ficamos imaginando um milhão de hipóteses, só para termos a ilusão de não sermos pegos de surpresa. E a verdade é que de novo, pouco adianta.

Queremos garantia de que vai dar certo, garantia de que vai dar errado, sim isso mesmo, porque a garantia de que vai dar errado muitas vezes conforta mais do que a de que vai dar certo, afinal se der certo: ponto pra gente. Garantia de que ficaremos bem, de que consiguiremos (seja lá o que for) de que seremos felizes (ainda que não saibamos como, onde, quando e nem que talvez já sejamos [rs]), garantia de que realizaremos nossos sonhos, até garantia de que poderemos levar pra outro mundo o que esquecemos de sonhar...

Parece difícil (quase impossível na verdade) ter alguma garantia ou entender os acontecimentos enquanto se caminha... A não ser a garantia de desorientação!  Lembrei de uma música do Teatro Mágico que diz que a 'incerteza traz inspiração'. Pode ser que traga mesmo. Afinal nada como imaginar o que não se sabe...

Que encontremos alguma leveza e diversão na incerteza e na desorientação de cada dia! Ainda que às vezes não seja tão simples se entregar à elas...


Sonho De Uma Flauta
O Teatro Mágico

'Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais'.
(Ter garantia delas então...)

22 julho, 2010

Sonhos



(Image by John Slater)

'Pode ser que para outro mundo
Eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo
O que me esqueci de sonhar?'

Fernando Pessoa,
por seu heterônimo 'Álvaro de Campos'.

20 julho, 2010

Dia das pessoas certas e erradas...




'Nada é para sempre, dizemos,
mas há momentos que parecem ficar suspensos,
pairando sobre o fluir inexorável do tempo'.

José Saramago 

Sei que é quase meia noite, e que o Dia do Amigo está quase terminando mas não consegui dormir sem escrever! Andei pensando sobre encontros, desencontros, sobre pessoas... e finalmente assisti Once (Apenas uma vez). Apesar das incógnitas na minha cabeça, da minha cara de 'ué' e do nó na garganta (mas era um nó bom, se é que existe um nó na garganta bom), passei esses dias pensando que talvez agora eu possa escrever um pouco mais sobre essa história de pessoa certa...

Já escrevi sobre como as pessoas são importantes pra mim nessa caminhada...  E ao pensar nessas pessoas...

Lembrei de vários 'sucos'  depois do trabalho (que acabam sempre se transformando em batatas fritas): 'E aí, você tá com tempo hoje?' (inclusive hoje [rs], não se esqueça que gosto muito de você!).

Dos telefonemas malucos só para contar os sonhos também malucos, mas que eu sabia que só você entenderia né!? Obrigada pela mensagem, você nem faz idéia de como ela acalmou o dia!

Porque eu também amo: uma boa companhia como você, filmes açucarados, trilha sonora, risadas e suspiros... certo? Das conquistas da faculdade, sua amizade com certeza é uma das mais importantes viu!?

Também adoro as conversas no MSN com uma certa pessoinha que estava escondendo uns poemas na gaveta, mas que resolveu agora dividir num certo blog, né?

Na delícia do reencontro de pessoas queridas no show do Zeca Baleiro, que de Zeca teve mesmo só o som... Agora de apartamento novo muito merecido!

Pão de queijo, Todinho, sorvete de brigadeiro e certa cantoria sentada na calçada após uma prova dos infernos... Até que somos afinadas hein? 'Take this sinking boat and point it home /We've still got tiiiiiiiiiiiiiiiime' [rs]

Bar do Zé no dia dos namorados? Vamos todas! E só nós duas também lembra? Até que rimos bastante ainda que eu pouco conhecesse de The Clash... Além de 'should i stay or should i go'...

Certas pirações sobre esse mestrado maluco que espero terminar mantendo a minha sanidade mental, obrigada pelas dicas viu? Espero conseguir assim como vc! Boa sorte em São Paulo amanhã!

Passeio pela feira hippie, Elo Místiko e Bar da Cachoeira... Nem os insetos atrapalharam, podemos contar também um certo filme sem pé nem cabeça né? Adoro sua companhia!

Nando Reis no Ibirapuera? Que dia foi esse hein? Mas dia 28 nos espera! Preciso depositar a grana dos ingressos!

Uma certa amizade de cursinho que resolveu visitar 'as origens' e ainda por cima me trouxe essa 'loucura' desse filme! Nosso almoço está de pé certo? Adorei te reencontrar!

Uma certa pessoa muito querida que não só alegra a minha vida como a do Bidú também!? Sousas, veterinários... Gosto muito de você viu!? Vamos no Bar do Jair comer coxinha certo? (menos de beringela, ok?)

Interubamos para Jaguaríuna, quanta saudade!? Precisamos nos ver logo! Lembra do dilema do vestido preto?

Uma certa pessoa que independente do nosso contato sempre será especial nessa vida maluca... afinal foram muitos momentos certo? Que bom retomar essa amizade... daquilo que fomos, dos dias, dos sonhos de sermos pra sempre ligados...

Uma certa amizade nova! Que nasceu de poemas e muita admiração viu?! Espero que tenha gostado da lembrança, porque eu amei o agradecimento! Muito bom te conhecer! ;)

E não posso deixar de falar de certas amizades virtuais digamos assim, não sei como chamar, mas certamente são pessoas especiais pra mim, certos poemas, textos, pensamentos e comentários que com certeza tornam esse meu dia a dia mais poético e colorido! É muito bom poder dividir coisas com vocês e conhecer idéias novas, pensamentos novos...

E muitos outros momentos...

Penso que a sacada talvez não esteja na pessoa certa ou errada e sim nos momentos certos ou errados em que temos a sorte de ter essas pessoas especiais por perto para vivê-los com a gente, seja apenas uma vez ou quantas vezes tivermos a sorte de nos encontramos! 

Um feliz dia do amigo pra gente, e muitos outros dias de encontros e momentos especiais como esses, que mereçam ficar suspensos na memória...

13 julho, 2010

Chuva e desencontros...



(Image by Mihaela Muntean)

Acabei de ler um texto muito bonito (vale muito a pena ser lido!) de uma amiga no qual ela fala sobre os encontros malucos que a vida proporciona e que acabam nos ajudando a seguir nosso caminho com mais tranquilidade... Na verdade ela bem nos faz pirar perguntando 'Com que frequência você encontra a pessoa certa?'.

E estava pensando esses dias nos encontros! Nas tantas pessoas 'certas' que já encontrei... Entretanto, ao terminar de ler seu texto me senti provacada a pensar nos desencontros... E em como tentamos pensar ( e fato é real) que eles valeram à pena, que foram experiências significativas que nos modificaram, momentos em que de fato as coisas fizeram sentido. E lá dentro sabemos disso. Não é difícil notar na nossa maneira de falar, às vezes de pensar, de ter idéias... E que bom que isso certamente ficará conosco. Assim como as lembranças.

Entretanto, fiquei pensando que quase como dois mais dois são quatro, se há um encontro... em algum lugar haverá um desencontro. E isso não é pessimismo não. É a simples constatação de que por mais que essas pessoas continuem na nossa vida de alguma maneira, que elas estejam em algum lugar desse ou de outro planeta, e que saibamos que elas estarão sempre lá... Sabemos também que qualquer que seja esse novo lugar não será como o lugar de hoje, ou de ontem...

Resta-nos 'acomodarmos' esse novo espaço, manter o contato seja com que planeta for e aguardar os novos encontros malucos da vida... Sejam eles com as pessoas certas ou as erradas, afinal quem vai saber o que é certo ou errado até descobrir o que um encontro pode render?

Desabafos de uma noite chuvosa...

12 julho, 2010

Pequeno poema de após chuva



(Image by Mooney Green)

Frescor agradecido de capim molhado
Como alguém que chorou
E depois sentiu uma grande, uma quase envergonhada
alegria
Por ter a vida
continuado...

Mário Quintana - Baú dos Espantos

10 julho, 2010

Pessoas pelo caminho...



(Image by Julian Hibbard)

Quinta, com cara de sexta, véspera de feriado... e uma galera do meu trabalho saindo de férias... Ok, foram umas três pessoas, mas pareceu uma ‘galera’. Independe do fato da minha pessoa não ter férias, o clima era de férias, então resolvemos colocar uma musiquinha pra comemorar, CD eleito: Titãs Acústico.

E de repente começou a tocar “Pra dizer adeus”. Sabe que não é uma musica da qual eu goste muito. Gosto. Mas honestamente aquela imagem de ‘Você apareceu do nada / E você mexeu demais comigo’... Sei-lá acho que (no momento atual) não me convence muito apesar de ser quase impossível não suspirar com ela né?! Esses caras são bons em 'romance musical'.

Mas pela primeira vez essa música não me levou pra uma viagem romântica e me fez pensar nas pessoas... E em como elas aparecem do nada e entram na nossa vida, Já reparou?

Hoje saí com uma amiga, conversamos um montão e comecei a pensar nas pessoas que conheço e com as quais tenho convivido ultimamente, nas pessoas que conheço, mas não tenho tido tanto contato e das maneiras malucas e óbvias que elas passaram a fazer parte da minha vida.

E mais do que isso, nos diversos significados que elas possuem pra mim.

Se reparar bem acho que vai perceber também que há aquelas pessoas com as quais adoramos brincar, fazer piada do mundo, das situações (isso é um pouco mais complicado no meu caso, porque acho que faço piada com tudo e todos, mas há sim aquelas mais abertas pra isso)... Aquelas que quando pensamos algo engraçado, só de nos olhar já conseguem alcançar nosso pensamentos e rir com a gente!

Aquelas pessoas que quando cometemos a maior burrada do mundo e ainda não assumimos nem pra nós mesmos, procuramos... Pois sabemos que de alguma maneira elas nos entenderão melhor do que outras...

Aquelas pessoas em que somente na frente delas conseguimos desaguar a chorar, por alguma razão maluca que com certeza deve ter uma pitada de segurança, liberdade, compreensão... Que apesar de termos segurado aquela dor o dia inteiro, às vezes durante dias é somente na frente e com essas pessoas que conseguimos chorar (também ponto delicado pra mim, digamos que eu tenha uma relativa dificuldade de chorar acompanhada, eu hein, quantos pontos delicados [rs])...

Aquelas pessoas em que pensamos no exato momento em que nos acontece uma coisa ótima! Sabe aquilo que estávamos esperando muito! Ou aquilo que de tão bom nem esperávamos que nos acontecesse um dia? E que antes de termos vontade de gritar pro mundo, queremos contar pra elas!

Aquelas pessoas que naqueles dias meio sem sentido, nem uma pitada sal, nem de açúcar, procuramos para temperar o dia! Sabe no estilo ‘você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia’. Quantos telefonemas malucos sem pé nem cabeça que acabam sempre em gargalhadas e um ‘nem sei por que te liguei, mas valeu!’. Isso vale pra emails, mensagens no celular... telepatia às vezes[rs]... e não posso deixar de citar certos poemas, textos, frases de um certo universo virtual que talvez nem saiba o bem que pode nos fazer!

Aquelas pessoas que só de ouvir a nossa voz ou ver o modo como ‘não’ a encaramos, sabem... o que talvez nós nem quiséssemos compartilhar naquele momento...

Aquelas com as quais sabemos que podemos contar seja dia ou noite, faça sol ou chuva... Seja para que loucura for... Que sabemos que após um ‘tem certeza?’, ou 'você pensou bem nisso?’, está pronta pra ‘aprontar, lutar, querer, sofrer’ com a gente... Sem ficar nos puxando pro chão sabe? Ou pelo menos puxam com mais delicadeza.

Há também aquelas pessoas que possuem o dom de nos fazer refletir em situações complicadas... Quem sempre procuramos em momentos de indecisão, nem que seja para sentar num café ou no MC Donalds e rabiscar uma lista de prós e contras num papel qualquer que encontramos na bolsa ou num guardanapo...

Ainda há muitas outras pessoas... E o engraçado é como elas conseguem ser 'uma' e 'muitas' pra gente!

Fico pensando que ao invés de ficar procurando ‘Um caminho, um lugar Pro que eu sou...', podemos continuar (mesmo sem encontrar esse 'tal' lugar) vivendo cada dia junto dessas pessoas, que na verdade chamamos de amigos, certo?

E mais... seguir imaginando as muitas outras pessoas e surpresas que esse caminho reserva... (ainda que surpresas não sejam o meu forte, sabe como é né...)

Afinal, talvez vocês tenham mesmo razão e como já dizia Guimarães Rosa: 'Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia...'.

Que aproveitemos o caminho! E que bom que vocês existem...