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02 janeiro, 2011

Faxina geral! 2011 chegou!



Nova foto para o mural: Búzios no Natal...

Se tem uma parte que me irrita no final e no começo do ano é quando o nosso balanço começa a ficar profundo demais... A tradicional retrospectiva eu acho bastante simpática e terapeutica inclusive, afinal em meio a tanta correria e diante da nossa esperteza de querer muitas vezes 'empurrar as coisas para debaixo do tapete', de fato esse balanço nos faz conseguir voltar até sentimentos e acontecimentos importantes...

Arrumei gavetas (mais desarrumei que arrumei, mas...), organizei livros, filmes, CD's, fotografias, a tinta nova para a parede colorida do meu quarto, o mural de fotos, e comecei a pensar em mim! E no meu exercício mais complicado para 2011... Me deixar surpreender... E ter momentos de coragem... E fiquei pensando qual o problema com isso? Porque é tão complicado lidar com o que não está no roteiro (ainda que furado) que eu imaginei?

E aí fui pensando que criatura complexa eu poderia ser para ter tanto problema com isso... E de repente começou a surgir uma lista enorme... De coisas que eu gosto, não gosto, de como eu penso que sou... Não é da curiosidade de ninguém isso sabe? Mas resolvi dividir... Acho que posso rever isso lá no começo de 2012...

Gosto de doce com salgado, mais do que doce ou salgado separados, adoro a combinação!

Barulho e cheiro de chuva... (Como a que está lá fora nesse momento...)

Vento, vento no rosto, principalmente no fim de tarde, e se for vento de chuva então...

Entardecer! Adoro ver o sol se pôr, mais do que ele nascer, não sei porque, mas o pôr do sol me trás muito mais a idéia de recomeçar...

Adoro a lua, posso ficar horas olhando pra ela, na verdade acho que adoro as coisas que ela me faz pensar...

Adoro horóscopo, astrologia, numerologia, e tudo mais que os astros, as cartas, as pedras, as cores... possam me dizer! Pode ser a coisa mais babaca do planeta, mas não vivo sem tentar interpretar aquelas previsões algumas vezes sem pé nem cabeça... Se você também gosta dá uma olhadinha aqui...

Romances e comédias românticas: nem que seja pra duvidar e dizer ‘só em filme mesmo’ (Tudo bem, uma certa experiência me fez aposentar essa frase por tempo indeterminado)...

Mania de anotar frases de filmes... Adoro aquelas frases de efeito, malucas, que de alguma maneira são coisas que eu queria dizer, ouvir, ou mesmo esquecer... A de hoje: 'O universo é um acaso cego sem sentido', do filme 'Tudo pode dar certo'... E o Boris, consegue ser mais reclamão do que eu...

Adoro analisar filmes e ficar comparando com coisas que na maioria das vezes nem são comparáveis... Adoro chorar, rir, ficar brava também e todas as emoções que eles me fazem sentir!

Morro de vergonha de receber elogios, odeio ficar sem jeito...

Sou ótima pra desviar o assunto, sair pela tangente...

Odeio como algumas pessoas possuem o poder de nos decifrar em tão pouco tempo... (prefiro pensar isso,  do que talvez o fato de que eu possa ser ‘alguém tão previsível’)

Penso sempre nas terceiras intenções, não consigo ouvir coisas sem analisar o que pode querer dizer... (posso errar, mas eu tento...)

Duvido de tudo e de todos, mas, no fim acabo acreditando em algo...

Sou teimosa, extremamente teimosa... Se quer me convencer, deixe que eu pense que cheguei a essa conclusão sozinha, nem por convencimento, nem por oposição...

Adoro viajar... a idéia de estar ‘a caminho de...’ me fascina... Seja de carro, ônibus, trem, avião, navio... E principalmente de conhecer lugares novos!

Faço muitos planos (que quase sempre dão errado, com exceção dos meus mapas!)...

Penso muito, 'demais da conta' eu diria... Já dizia Clarice que pensar demais irrita...

‘E SE’ é uma expressão recorrente nos meus pensamentos inclusive...

Sou um pouco reclamona (ok, você tem razão), pessimista talvez, ou seria realista demais?

E ao mesmo tempo a Srta ‘Tudo vai dar certo de alguma maneira’, embora na maioria das vezes eu não faça idéia de como!

Tenho medo de sentir medo, ainda que assim viva com ele...

Falo pelos cotovelos, menos quando estou com vergonha, aliás, quando estou nervosa fico monossilábica...

Gosto mais da muvuca da cidade do que do verde... Verde para as férias e o feriado, mas o barulho, o movimento, para o dia-adia definitivamente (pode ser só costume...)

Tenho vontade de morar em São Paulo um dia...

E dar a volta ao mundo também... nem que seja nos lugares mais legais (pra mim) e de mochilão... Isso inclui conhecer a Grécia e a Irlanda... (Influência de alguns filmes...)

Ainda quero aprender a tocar gaita (culpa da Alanis...)

Gosto de músicas dos tipos mais variados... Mas gosto sempre daquelas que me fazem pensar em coisas... Sabe? Músicas que te levam pra outro lugar, que mudam o tom do seu dia? Que te fazem pensar em coisas que sem elas você não seria capaz de pensar e nem de sentir... Essas!

Adoro cantar sozinha! Na frente do computador, arrumando meu quarto, em pensamento no ônibus...

Ah e amo trilhas sonoras de filmes! É quase automático terminar de ver o filme e procurar a trilha! E lá vai ela para o celular tocar por tempo indeterminado...

Odeio aparecer em fotografias! Odeio, talvez mais do que pimentão e sentir medo! Mas adoro tirar fotos! Ver fotos, ler sobre fotos! Ainda estou ‘me devendo’ um curso de fotografia.

Amo cinema! Não entendo quase nada tecnicamente, mas amo filmes! De todos os tipos! Posso ficar horas especulando sobre eles depois, detalhes, bastidores... Aliás, estou devendo mais um curso de cinema também! E mais idas ao cinema também!

Sou a Srta curiosidade! Não há nada que me deixe mais nervosa do que ficar curiosa! Cuidado!

Odeio como o meu modo um tanto cético de ver as coisas faz com que elas percam o encanto... Mas adoro o encanto que consigo imaginar... (mesmo que hora mais, hora menos, duvide dele)

Adoro a minha imaginação e maneira como ela flui, muitas das vezes a partir de nada...

Eu gosto da maneira como me interesso por coisas diferentes... Basta ser diferente que estou lá... Xeretando, tentando entender, e isso felizmente ou infelizmente vale para as pessoas também! Apesar do medo da surpresa, adoro quem me provoca curiosidade...

Morro de vontade de cantar no Karaokê! Bom deixar claro que vontade não significa coragem né?

Adoro jogar conversa fora com amigos especiais, e o poder que isso tem de transformar um dia chato num dia cheio de possibilidades...

Adoro rir! E quem me faça rir também! Acho que essa é uma das melhores qualidades das pessoas, o poder de fazer as outras rirem, do mundo, dos absurdos da vida, de bobeiras, de si mesmas...

Adoro cadernetas, ainda que não termine de fato nenhuma delas, mas há várias espalhadas por bolsas, caixas, no meu quarto... gosto de escrever coisas bestas que eu penso pelo caminho...

E esse blog certamente me ajudou a descobrir muitas dessas coisas!
E acho que chega... Continuo com as cadernetas e quando houver algo interessante, prometo trazer pra cá!

Que em 2011 eu descubra mais uma porção de coisas pra gostar, pra não gostar, pra sentir saudade...

16 julho, 2010

Sobrevivendo? Vivendo...



(Image by Laura Rounds)

'Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante.'
Clarice Lispector


Quando li essa frase comecei a pensar em como estou levando a vida sabe? Além da correria, do trabalho, das contas pra pagar, das coisas pra estudar... E reparei em como tenho usado muito a palavra ‘sobrevivendo’...

Recebemos (eu e uma amiga) o email de uma amiga muito especial... E a pergunta era muito simples: Como vocês estão? E lá fomos nós nos descrevermos como SOBREVIVENTES!

Quem lê pensa que estamos quase numa guerra né!? Não que a vida não seja uma às vezes [rs].

Mas lá fomos nós descrever como estávamos: sobrevivendo no trabalho, sobrevivendo em casa, sobrevivendo na família, sobrevivendo na faculdade, sobrevivendo no ônibus, sobrevivendo... E fiquei pensando que história é essa de achar que só porque as coisas não saem exatamente como queremos estamos simplesmente sobrevivendo e não vivendo!

Fiquei pensando que essa sensação de estar ‘sobrevivendo’ ao mundo deve ter haver com as coisas saírem diferente do que havíamos planejado, ou esperávamos... E com o fato de muitas vezes pensarmos que devíamos ter sido mais corajosos ou menos covardes, tanto faz.

Mais é aí que está, Clarice tem toda razão: 'Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante' e nós tentamos ao máximo encontrar o equilibrio nesse jogo.

E fiquei pensando que talvez mais importante do que equilibrá-lo seja viver essa vida maluca de encontros e desencontros aproveitando os momentos, sejam eles de coragem, ou talvez um pouco covardes.

Ok que há dias em que nos perguntamos por que não ficamos dormindo? Escondidos embaixo do edredom? Mas ainda assim se prestarmos atenção há coisas que devem ter valido a pena...

Seja o sorriso que arrancamos de uma amiga ‘praguejando’ o planeta pelas coisas que não saíram como queríamos, pela nossa coragem ou covardia, sejam as palavras que ouvimos pelas mesmas reclamações e que nos fizeram pensar, pois não havíamos olhado por aquele lado ainda. Ou seja, simplesmente o fato de termos nos permitido ficarmos putos com o mundo! Ainda que temporariamente, também podemos e muitas vezes merecemos não estarmos de acordo!

Por outro lado talvez não seja fácil perceber esses momentos, ainda mais depois de um dia cansativo (e frio como esse) de trabalho, confesso que nem sempre consigo, e que na maioria das vezes nem me lembro de pensar nisso, mas por algum momento deve ter valido a pena o dia de hoje...

Pra mim o dia de hoje valeu muito a pena por ensinar minha irmã a jogar dominó e ela se sentir como se tivesse descoberto algo mágico! Ok que não venci nenhuma vez ainda [rs] mas vê-la sorrir, tentando adivinhar as minhas peças definitivamente valeu o dia...

Seja sorrindo ou de saco cheio com o mundo, de maneira corajosa ou um pouco covarde (às vezes) estamos vivendo e certamente o que seremos e como estaremos amanhã terá muito dos nossos sorrisos e reclamações de hoje!

E tudo isso me lembrou muito a música 'Paciência' do Lenine... E embora muitas vezes ela tenha me parecido triste, hoje me passou uma sensação boa, de possibilidade... Afinal a vida parece mesmo tão rara...

18 maio, 2010

Explosões



 (Image by Ulf Huett Nilsson)

"Não tenho nada a ver com explosões”, diz um verso de Sylvia Plath. Eu li como se tivesse sido escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos. Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.

Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos, ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem.

Não me sinto à vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta. Ou para permanecer sem susto. Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.

Não tenho nada a ver com o que é dos outros, sejam roupas, gostos, opiniões ou irmãos, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve, não tomo emprestado nem me empresto. Se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho, tenho vida própria e suficiente pra lidar, sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.

Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica, um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil. Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo.

Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei. Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.

Minto, tenho tudo a ver com explosões.

Martha Medeiros