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13 setembro, 2010

Encontrar-se?



(Image by Aaron Black)

Perder-se também é caminho.
Clarice Lispector

Acho que não tinha coisa melhor para aprender nesse 'caminho'. Engraçado que na minha cabeça as coisas só estariam 'certas' quando estivessem no lugar, devidamente organizadas, devidamente etiquetadas, devidamente classificadas de alguma maneira. Se não estivessem calssificadas... ai... havia alguma coisa muito errada que não me deixava nem ao menos tentar vivê-las nessa 'relativa' desordem.

Engraçado que de uma maneira ou de outra eu nunca percebi que eu vivi essas coisas, estando elas organizadas nas minhas gavetas e pastas abstratas malucas ou não. Mas vivi com muito menos intensidade, sentimento e talvez vontade do que se tivesse simplesmente vivido e não procurado entendê-las. É claro que valeu a pena. Todas elas tiveram a sua magia,  o seu significado. Talvez, não teria chegado a essa conclusão se não tivesse enlouquecidamente tentado enquadrar todos os acontecimentos, sentimentos, sonhos que nunca viraram acontecimentos e até mesmo os sonhos que se realizaram em algum lugar.

Engraçado perceber como hoje, de repente, (ía escrever sabe Deus, mas pôxa vida, acho que ele acabava se perdendo junto comigo nessa minha confusão maluca), as coisas simplificaram. Engraçado que a dor continua dor, continua a doer como sempre doeu, com a diferença que tenho me permitido sofrer se é que é isso que ela me provoca, ao invés de tentar entendê-la. A vontade continua a ser vontade, agora muito mais livre pra existir, a saudade continua saudade, lembrando de coisas que hoje eu sei que talvez sejam inclassificáveis nas minhas pobres categorias, o medo então... continua tão medo como nunca, mas (quase) sem classificações, o medo agora  parece permitir o frio na barriga que as possibilidades diante do desconhecido (ou do conhecido) provocam...

Talvez esteja só sonhando sabe? (Ando tomando uns relaxantes musculares dos deuses... [rs], ah e um certo floral meio mágico feito com muito carinho né!?). Mas talvez sabe lá porque, as coisas, apesar de ainda complicadas, se tornaram mais simples, mais claras e mais vivas. E o mais engraçado é que acho que nunca estive tão perdida como agora. Mas uma grande amiga de quem eu gosto muito, uma vez me disse essa frase da Clarice, que perder-se também é caminho, e não me passa pela cabeça caminho melhor, do que estar perdida agora.

'Estou de alma lavada
Não chove mais na minha estrada
Seu olhar já me chamou
Eu vou
Caminho pro interior'

Caminho pro interior

16 julho, 2010

Sobrevivendo? Vivendo...



(Image by Laura Rounds)

'Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante.'
Clarice Lispector


Quando li essa frase comecei a pensar em como estou levando a vida sabe? Além da correria, do trabalho, das contas pra pagar, das coisas pra estudar... E reparei em como tenho usado muito a palavra ‘sobrevivendo’...

Recebemos (eu e uma amiga) o email de uma amiga muito especial... E a pergunta era muito simples: Como vocês estão? E lá fomos nós nos descrevermos como SOBREVIVENTES!

Quem lê pensa que estamos quase numa guerra né!? Não que a vida não seja uma às vezes [rs].

Mas lá fomos nós descrever como estávamos: sobrevivendo no trabalho, sobrevivendo em casa, sobrevivendo na família, sobrevivendo na faculdade, sobrevivendo no ônibus, sobrevivendo... E fiquei pensando que história é essa de achar que só porque as coisas não saem exatamente como queremos estamos simplesmente sobrevivendo e não vivendo!

Fiquei pensando que essa sensação de estar ‘sobrevivendo’ ao mundo deve ter haver com as coisas saírem diferente do que havíamos planejado, ou esperávamos... E com o fato de muitas vezes pensarmos que devíamos ter sido mais corajosos ou menos covardes, tanto faz.

Mais é aí que está, Clarice tem toda razão: 'Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante' e nós tentamos ao máximo encontrar o equilibrio nesse jogo.

E fiquei pensando que talvez mais importante do que equilibrá-lo seja viver essa vida maluca de encontros e desencontros aproveitando os momentos, sejam eles de coragem, ou talvez um pouco covardes.

Ok que há dias em que nos perguntamos por que não ficamos dormindo? Escondidos embaixo do edredom? Mas ainda assim se prestarmos atenção há coisas que devem ter valido a pena...

Seja o sorriso que arrancamos de uma amiga ‘praguejando’ o planeta pelas coisas que não saíram como queríamos, pela nossa coragem ou covardia, sejam as palavras que ouvimos pelas mesmas reclamações e que nos fizeram pensar, pois não havíamos olhado por aquele lado ainda. Ou seja, simplesmente o fato de termos nos permitido ficarmos putos com o mundo! Ainda que temporariamente, também podemos e muitas vezes merecemos não estarmos de acordo!

Por outro lado talvez não seja fácil perceber esses momentos, ainda mais depois de um dia cansativo (e frio como esse) de trabalho, confesso que nem sempre consigo, e que na maioria das vezes nem me lembro de pensar nisso, mas por algum momento deve ter valido a pena o dia de hoje...

Pra mim o dia de hoje valeu muito a pena por ensinar minha irmã a jogar dominó e ela se sentir como se tivesse descoberto algo mágico! Ok que não venci nenhuma vez ainda [rs] mas vê-la sorrir, tentando adivinhar as minhas peças definitivamente valeu o dia...

Seja sorrindo ou de saco cheio com o mundo, de maneira corajosa ou um pouco covarde (às vezes) estamos vivendo e certamente o que seremos e como estaremos amanhã terá muito dos nossos sorrisos e reclamações de hoje!

E tudo isso me lembrou muito a música 'Paciência' do Lenine... E embora muitas vezes ela tenha me parecido triste, hoje me passou uma sensação boa, de possibilidade... Afinal a vida parece mesmo tão rara...

10 julho, 2010

Pessoas pelo caminho...



(Image by Julian Hibbard)

Quinta, com cara de sexta, véspera de feriado... e uma galera do meu trabalho saindo de férias... Ok, foram umas três pessoas, mas pareceu uma ‘galera’. Independe do fato da minha pessoa não ter férias, o clima era de férias, então resolvemos colocar uma musiquinha pra comemorar, CD eleito: Titãs Acústico.

E de repente começou a tocar “Pra dizer adeus”. Sabe que não é uma musica da qual eu goste muito. Gosto. Mas honestamente aquela imagem de ‘Você apareceu do nada / E você mexeu demais comigo’... Sei-lá acho que (no momento atual) não me convence muito apesar de ser quase impossível não suspirar com ela né?! Esses caras são bons em 'romance musical'.

Mas pela primeira vez essa música não me levou pra uma viagem romântica e me fez pensar nas pessoas... E em como elas aparecem do nada e entram na nossa vida, Já reparou?

Hoje saí com uma amiga, conversamos um montão e comecei a pensar nas pessoas que conheço e com as quais tenho convivido ultimamente, nas pessoas que conheço, mas não tenho tido tanto contato e das maneiras malucas e óbvias que elas passaram a fazer parte da minha vida.

E mais do que isso, nos diversos significados que elas possuem pra mim.

Se reparar bem acho que vai perceber também que há aquelas pessoas com as quais adoramos brincar, fazer piada do mundo, das situações (isso é um pouco mais complicado no meu caso, porque acho que faço piada com tudo e todos, mas há sim aquelas mais abertas pra isso)... Aquelas que quando pensamos algo engraçado, só de nos olhar já conseguem alcançar nosso pensamentos e rir com a gente!

Aquelas pessoas que quando cometemos a maior burrada do mundo e ainda não assumimos nem pra nós mesmos, procuramos... Pois sabemos que de alguma maneira elas nos entenderão melhor do que outras...

Aquelas pessoas em que somente na frente delas conseguimos desaguar a chorar, por alguma razão maluca que com certeza deve ter uma pitada de segurança, liberdade, compreensão... Que apesar de termos segurado aquela dor o dia inteiro, às vezes durante dias é somente na frente e com essas pessoas que conseguimos chorar (também ponto delicado pra mim, digamos que eu tenha uma relativa dificuldade de chorar acompanhada, eu hein, quantos pontos delicados [rs])...

Aquelas pessoas em que pensamos no exato momento em que nos acontece uma coisa ótima! Sabe aquilo que estávamos esperando muito! Ou aquilo que de tão bom nem esperávamos que nos acontecesse um dia? E que antes de termos vontade de gritar pro mundo, queremos contar pra elas!

Aquelas pessoas que naqueles dias meio sem sentido, nem uma pitada sal, nem de açúcar, procuramos para temperar o dia! Sabe no estilo ‘você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia’. Quantos telefonemas malucos sem pé nem cabeça que acabam sempre em gargalhadas e um ‘nem sei por que te liguei, mas valeu!’. Isso vale pra emails, mensagens no celular... telepatia às vezes[rs]... e não posso deixar de citar certos poemas, textos, frases de um certo universo virtual que talvez nem saiba o bem que pode nos fazer!

Aquelas pessoas que só de ouvir a nossa voz ou ver o modo como ‘não’ a encaramos, sabem... o que talvez nós nem quiséssemos compartilhar naquele momento...

Aquelas com as quais sabemos que podemos contar seja dia ou noite, faça sol ou chuva... Seja para que loucura for... Que sabemos que após um ‘tem certeza?’, ou 'você pensou bem nisso?’, está pronta pra ‘aprontar, lutar, querer, sofrer’ com a gente... Sem ficar nos puxando pro chão sabe? Ou pelo menos puxam com mais delicadeza.

Há também aquelas pessoas que possuem o dom de nos fazer refletir em situações complicadas... Quem sempre procuramos em momentos de indecisão, nem que seja para sentar num café ou no MC Donalds e rabiscar uma lista de prós e contras num papel qualquer que encontramos na bolsa ou num guardanapo...

Ainda há muitas outras pessoas... E o engraçado é como elas conseguem ser 'uma' e 'muitas' pra gente!

Fico pensando que ao invés de ficar procurando ‘Um caminho, um lugar Pro que eu sou...', podemos continuar (mesmo sem encontrar esse 'tal' lugar) vivendo cada dia junto dessas pessoas, que na verdade chamamos de amigos, certo?

E mais... seguir imaginando as muitas outras pessoas e surpresas que esse caminho reserva... (ainda que surpresas não sejam o meu forte, sabe como é né...)

Afinal, talvez vocês tenham mesmo razão e como já dizia Guimarães Rosa: 'Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia...'.

Que aproveitemos o caminho! E que bom que vocês existem...

25 junho, 2010

Caminhar sozinha?!



(Image by Sami Sarkis)

Tava ouvindo uma música hoje que dizia assim: “Eu só queria saber por onde caminhar/E não ficar esperando alguém vir me buscar...”, de novo acho que a música nem fala nada sobre o que me fez pensar, aliás, acho que ela fala do contrário... Aquela velha história de sentir falta de alguém... Não sei! Mas música é pra isso também, pra nos fazer pensar, ainda que em coisas que não tenham necessariamente haver com elas... O fato é que agora a noite estava conversando com uma amiga quando de repente escrevi a seguinte frase... “é muito bom poder andar e cair com as próprias pernas...”. Talvez não tenha muito sentido olhada assim, mas quando li na tela do computador percebi que loucura! Ainda não tinha me dado conta desse movimento.

Talvez a correria do dia a dia colabore nesse sentido, mas fiquei pensando em como nos acostumamos a ter pessoas por perto. E não estou dizendo que não seja bom tê-las, amigos, colegas, família, seja lá quem forem. Só quero dizer que de alguma maneira estranha(mente humana, ou não só humana também) nos acostumamos a ter sempre alguém 'tocando a vida com a gente'.

Acho que isso tem uma parte boa sim... Não na mesma proporção do Tom Jobim de "é impossível ser feliz sozinho", mas sim, as pessoas com certeza dão um colorido especial à nossa sagrada correria diária. Mas de repente nos vemos sozinhos e bate aquela insegurança de como vai ser? E aí, como vou dar conta? Como vou conseguir sozinha? E, de repente (que não é exatamente de repente, e sim um mega movimento nosso para isso) (SEM) mágica: a gente consegue! E consegue concretizar planos, fazer outros, construir novos sonhos, substituir outros, tropeçar, tirar as pedras do caminho, encontrar outras...

E na loucura de novo (hoje estou com a palavra loucura na ponta da língua... como diria a minha terapeuta, fica pra pensar [rs]...) nem percebemos que além de dar conta, de andar com as nossas pernas, de cair com elas... Nós levantamos também! Sozinhos! E como é estranho se sentir assim?! Custamos a acreditar que foi possível, que é possível!

Longe de mim desconsiderar todo apoio, troca, alegrias, tristezas e surpresas que as pessoas nos proporcionam, mas parece que saber que podemos dar conta de nós mesmos é algo muito significativo! E faz com que possamos olhar pra tudo isso de uma forma diferente...

Ainda que nunca estejamos sozinhos de fato, parece que respiramos diferente, caminhamos diferente, falamos diferente... Acho que paramos de esperar alguém vir nos buscar e podemos simplesmente (ainda que isso quase nada tenha de simples...) caminhar...

Fica a música pra quem quiser conhecer...


De longe
Tihuana