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19 janeiro, 2011

Medo do que dá medo...



(Image by Kei Hiramatsu)


Há o certo, o errado e aquilo que nos da medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece.
Martha Medeiros

06 janeiro, 2011

Chances?



(Image by Joos Mind)

'O fator de chance na vida é algo incompreensível'.
(Filme: Tudo pode dar certo)

26 maio, 2010

Porque sim!?



(Image by Cheryl Zibisky)

Hoje tive um dia pesado... e uma noite também, apesar da lua cheia linda que estava lá fora... Fiquei pensando nas pirações da aula passada. Digamos que eu sobreviveria bem sem ouvir numa aula cujo tema era "tragégia" que a única certeza que temos é o fim... OK! Não vou entrar no mérito da questão. Mas fiquei pensando no quanto a gente vai se limitando, se podando... de tal maneira que acaba se tornando natural. 

A gente já não se arrisca mais porque de alguma maneira mágica (e sem fundamento quase algum) sabemos que vai dar errado. Não temos muitas vezes nem  a honestidade de assumir a metade das chances de dar certo! Temos respostas prontas para tudo! Pra que fazer isso ou fazer aquilo, pra que ir àquele lugar, nem vai estar tão legal assim... pra que acordar cedo (embora dormir seja uma delícia), pra que se inscrever naquele curso, talvez nem seja tão bom, pra que fazer aquela viagem, nossa é muito longe, pra que ir naquele barzinho bacana onde os seus amigos vão estar, já está tarde, pra que ir ver aquele filme no cinema, logo estará na locadora, pra que convidar aquele cara bacana pra sair? 

É curioso como buscamos respostas que talvez nem existam e que talvez possam ser somente um porque sim! Porque queremos! Porque estamos com vontade! Porque merecemos! Porque só queremos ver no que vai dar, afinal do chão não passamos certo? Quase desisti de escrever algumas linhas atrás porque os porquês me confundem... com acento, sem acento, separado, junto... decidi que vou escrever do jeito que quiser porque o blog é meu certo?

Sei que estamos apenas na metade do ano... mas, lembrei dessa crônica e fiquei pensando que talvez (50% de chance, OK?) quanto mais cedo rolar um, algum, alguns "porque sim" talvez conquistemos coisas novas, nos surpreenderemos com o esperado e com o inesperado, nos decepcionaremos também, enfim... viveremos com mais intensidade... até porque... porque sim pode ser uma ótima resposta! Seja ele junto, separado, com ou sem acento...

(Image by Deborah Harrison)


Porque sim!

Você tem uma razão muito forte para, neste final de ano, reatar com aquela amiga a quem magoou, para passar o dia inteiro deitado na cama pensando na vida, para interromper a dieta e cair de boca no seu doce preferido. A razão inquestionável e inatacável é: porque sim.

Você passou o ano inteiro fazendo coisas porque não. Você foi a festas barulhentas e lotadas porque não queria ficar em casa sozinha. Você gastou mais dinheiro do que podia porque não contava que iria ficar sem emprego. Você se frustrou porque não conseguiu a bolsa de estudos na Inglaterra. Você foi ignorada pelo carinha que estava a fim porque não ouviram suas preces. Ainda assim, você passou o ano sorridente e bem-humorada, porque não esperavam outra coisa de você.

Agora chegou a época do ano em que você não precisa mais se preocupar em dar explicação. Por que? Porque sim. Acabei de determinar que o final do ano é o momento ideal para expurgar as culpas e para fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, sem se importar se é politicamente correto ou incorreto, se vai dar certo ou não. É a hora de ouvir os seus instintos e atender às suas vontades, hora de se permitir uma certa irresponsabilidade, tomar atitudes desamparada pela razão. Por que? Você sabe porquê.

Vou comprar um vestido vermelho, porque sempre quis ter um. Vou alugar uma moto por um dia, porque nunca tive uma moto. Vou ligar para o Gustavo e dizer que fui apaixonada por ele, porque ele nunca soube disso. Vou ler toda a obra de Shakespeare, porque me deu na telha. Vou pegar um ônibus e só descer na última parada, porque me deu vontade. Vou comprar o disco de uma banda que nunca ouvi falar, sem escutar na loja. Porque sim.

Um exercício de desprendimento: desatar os nós que enlaçam atos e motivos. Fazer as coisas por impulso. Por que? Porque às vezes é bom a gente mostrar pra si mesmo quem é que manda aqui.

Martha Medeiros

25 maio, 2010

Sentimentos Indecisos



(Image by Robin Cerutti)

Antes de colocar essa crônica da Martha que eu gosto muito, só queria acrescentar que meus sentimentos além de indecisos andam meio malucos... Se é que eles não são de fato meio malucos e eu só percebi agora... talvez eles estejam de fato alterados... Depois de uma aula cujo tema foi "a tragédia"... prefiro tecer comentários em outro momento... Tudo bem que adoro cinema... mas de tragédia chega algumas inevitáveis do dia a dia, certo?


Sentimentos indecisos

O sentimento é um indeciso. Nunca está 100% convicto. Por uma amiga: o sentimento inclina-se para o bem, o sentimento é de afeto pleno, mas surpreendemo-nos ouvindo suas aflições e sentindo com isso uma alegria maligna. Que espécie de amizade é essa, verdadeiramente amorosa, porém suscetível a uma humanidade que nos envergonha e dói?

O sentimento pelos pais, representantes de deus em nossa casa, os nossos criadores: dependemos de seus olhares e de suas palavras, queremos deles aceitação – em vão. Basta estarem de desacordo com a nossa verdade para repudiarmos seus valores arcaicos, e então alternadamente detestamos e amamos os pais, absorvemos com a mesma intensidade o sufocamento familiar e a divindade familiar, os queremos por perto e os queremos apartados de nós, e isso é amor enorme e confuso.

E assim sucede com pessoas várias. Colegas, compadres e vizinhos, seres que nos agradam e nos repulsam, que são admirados e desprezados, que provocam em nós sentimentos dúbios em horas alternadas, porque o sentimento é assim, histérico. Você ama o caráter de alguém e lhe odeia o dente amarelado, você admira a inteligência do outro, mas não entende como pode ser tão rude, você quer seu marido sempre por perto, e às vezes longe, e ele quer a esposa sempre ao lado, mas quieta.

O sentimento não suporta tudo. Mas é deste tudo que é feito um sentimento: de choques e prazeres, de desejos e solidão. O sentimento fatiado não existe. Lascas só de sentimentos bons: não. Vem sempre junto a parte estragada.

De nacos frescos e contaminados é feito todo sentimento. O nosso por nós mesmos, maior exemplo. Gostamos de nós, mas queríamos mudar. Temos orgulho do nosso caminho até aqui, e tantos arrependimentos. Gostamos da nossa boca, mas não dos olhos, gostamos do queixo, mas não dos cabelos, gostamos do rosto inteiro, mas precisamos emagrecer, e essa mesma satisfação e insatisfação ocorre por dentro: queríamos mais fígado, menos coração mole, mais estômago, menos dores de consciência, mais alma, mais sono, mais paciência.

Um sentimento decidido? Não há. Paixão ou ódio, estão sempre divididos.

Martha Medeiros


Obs.: Com todo respeito, gostaria só de acrescentar que hoje eu queria mais edredom e cama em dia frio, nos de calor também, e de noite também... mais leite quente com muito ovomaltine (odeio leite, mas com ovomaltine, muita coisa se resolve!), pode ser um milk shake também, sem problemas, mais doces gostosos, menos ônibus lotado, menos correria, mais música gostosa para ouvir, mais sofá e almofadas, mais filmes, mais cinema na verdade, mais rede pra deitar, mais shows bacanas pra curtir, mais risadas com as amigas (precisamos combinar algo!?), mais dias de chuva gostosos pra ficar deitada ouvindo a chuva no vidro da janela (sem ter que nadar na rua de preferência,  até porque não aprendi ainda)  menos dores de cabeça, menos cansaço, menos mau humor (às vezes até é divertido, mas só às vezes) e mais coragem pra correr atrás de tudo isso... e só pra reforçar... MUITO MAIS PACIÊNCIA!

17 maio, 2010

Pijamas, medo e frio...



(Imagem by Rolf Sjogren)

Atualmente (difícil precisar atualmente, deixa pra lá) as únicas coisas capazes de me deixar de bom humor são: pijamas, sofá e edredom. Ok que não é nada mal né? Mas hoje acabei comprando três pijamas. Por alguma razão maluca adoro pijamas! Mas, o que eu vou fazer com tantos pijamas? Tudo bem que acabo levando o cachorro passear praticamente dormindo e logo cedo de pijama ainda, afinal os únicos "quase" acordados no mundo somos nós dois praticamente, então... Vamos combinar que esse frio é um convite perfeito pra não se sair de casa e para se comprar pijamas! Engraçado como tem momentos da vida (ok que o frio colabora) em que a única coisa que a gente queria é ficar dentro de casa, num casulo, com a gente mesmo. Duas hipóteses: você tá bem e quer muito descansar e curtir o frio... ou as coisas não estão tão boas... e você mal sabe que ficar sozinha com você mesma pode ajudar a complicar um pouquinho mais. Nem tinha percebido o que ficar só comigo pode me trazer, mostrar, provocar, enfim...

Já sentiu medo de não conseguir viver tudo o que você poderia? Ok, como se você soubesse tudo o que poderia. Mas, medo mais estranho e contraditório esse! Parece que de repente as coisas começam a “acontecer” ou seria “não acontecer” de maneira tão rápida que em algum momento você se perdeu, só não consegue enxergar onde... e várias coisas acontecendo... e não acontecendo e você imaginando o que queria que acontecesse e o que não vai mais acontecer... é, achando que tem o dom divino de prever o futuro, ou alguma bola de cristal escondida no bolso. Que não seja o dom, mas que mania maluca é essa que você tem de imaginar o futuro? E o pior, passar raspando quase sempre...

Pode parecer um misto de desanimo, com saco cheio e falta de imaginação... Mas na verdade é só falta de uma perspectiva mais interessante no momento, literalmente. Não que ela não exista, mas sabe como é, ilusões de ótica fazem parte do percurso. E lá chegamos novamente a um querer não se sabe o que, mas um medo certeiro de não conseguir isso que não se sabe... Tudo bem que ouvir "As Melhores Coisas" do Arnaldo Antunes me fez querer voltar pros 16 anos... Quem diria que chorar na escada do colégio por alguém que pensava não poder viver sem e que hoje nem me lembro mais pudesse parecer tão interessante agora? Escola, amigos, uma série de coisas pra querer (ainda que desde lá não conseguisse identificar muito bem). Tudo bem, tenho uma série de coisas pra querer ainda! E quero!

Bom, lá vamos nós, ilusões de ótica e frio a parte a vida continua... Cheia de dúvidas, das certezas mais incertas, de expectativas confusas... Fico me perguntando o que está nesse momento pra mim entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida... Quando começar a lista eu conto...

Mas... por enquanto, prefiro ficar de pijama e de pernas pro ar... E a previsão é que fique ainda mais frio...

(Image by AAGAMIA)