30 maio, 2010

Coisas que nos dão prazer...



(Show Orquestra Arte Viva, Nando Reis, Paula Toller e Roberta Sá, Ibirapuera - SP)


Não sei se pra todo mundo, mas imagino que pra muita gente, o dia a dia se torna uma loucura e acabamos deixando de fazer coisas que nos dão prazer. A pior parte poderia estar aí: em não se fazer coisas que nos dão prazer. Mas existe uma parte ainda pior do que essa... Que é aos poucos irmos esquecendo que coisas são essas...

Do que gostamos, o que queremos, pelo que nos mataríamos, por que coisa enfrentaríamos chuva, sol, filas, que momentos valem cada segundo... Enfim, o que gostamos de fato de fazer. Me dei conta que tenho a sorte de ter pessoas muito especiais! Lembrei de conversas especiais, risadas especiais, silêncios especiais.

Quando estava sentada na grama, praticamente torrando no sol, naquele parque lindo olhando/sentindo/ouvindo o show... Me dei conta do valor que esses momentos possuem pra mim. Sabe quando a gente arrepia, para de raciocinar, canta sem perceber, pensa sem querer... Enfim, de alguma maneira maluca a gente se sente bem!

Fiquei pensando que são esses momentos que fazem grande parte do caminho valer a pena. Tem a parte chata/ruim/sem graça sim, não esqueci dela (nem tem como né?) mas, quando estava voltando, ouvindo "Mosaico Abstrato", a música nem fala disso na verdade (eu acho...), mas fiquei pensando que a nossa vida é feita também disso. Desses momentos malucos, que vão se juntando num mosaico abstrato e vão dando um sentido especial pra essa correria... que é a nossa vida de cada dia.

Trilha sonora do retorno pra Campinas...

Mosaico Abstrato
Nando Reis

Todo sonho é feito de estilhaços
Do que o olho crê
Que a imagem
Faz no espaço,
E o tempo encontra
No ar que passa
Invisível,
Peso e cor

Todo encontro é o jeito do acaso
Achar no sonho
Uma miragem
Onde o oásis
Água inventa
O mar do nada é
Impossível
Erro e dor

E o que era longe hoje só é aqui
Tem rosto
E nome
De um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim
Como o beijo e abraço
No tempo que passa
Lento e à jato

No gesto que toca
A gente na alma
No modo, dois jeitos
E diferentes
É que somos
Iguais

Livros lidos
Discos preferidos
Filmes vistos
Sempre
Um
Sinal

Indo e vindo
vivo ouvindo
O instinto
Mesmo quando
Não tava entendendo nada
Mesmo quando não entendo nada
Agora eu sei que não entendo mais de nada
Só o que diz
O lábio no beijo
No sopro
A paixão

29 maio, 2010

Sou...



(Martha Medeiros)

 Quem sou eu?

Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.

A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.

Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.

Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.

Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.

Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente só com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho.

Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro.

Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé.

Você está fazendo sua lista? Tô esperando.

Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.

Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.

Agora é sua vez.

Martha Medeiros



(Eu... ou seria eus?)


Sou...

O pior é que mesmo quando eu tenho duzentas coisas práticas atazanando a minha vida ainda consigo ficar fazendo essa pergunta besta... quem sou eu? E se a gente é o que a gente gosta... tenho até medo! Eita gosto mais variado o meu!

Sou mais estrada que porto seguro, sou mais perguntas que respostas, sou infinitamente mais dúvidas que certezas. Sou mais correria que calma, sou 220 volts. Sou risada na hora errada (nas outras horas também). Sou choro escondido. Sou pensamentos sem controle (eita imagnação que não para). Não sou vidente, mas tento todo o tempo.

Sou mais frio que calor, sou mais lua que sol. Sou garoa, chuva e tempestade. Sou perfume leve. Sou cabelos curtos cortados todo mês. Sou sapatos baixos (salto só por uma boa razão). Sou saia. Sou calça jeans. Sou pijama. Sou banho quente e demorado. Sou sabonete de hortelã e gengibre.

Sou quarto bagunçado. Sou vontade de dormir só mais cinco minutinhos (viva o "soneca" do celular). Sou mais pressa que paciência, sou mais palavra que silêncio.

Sou doce com salgado. Sou mais sobremesa que prato principal. Sou pão na chapa com suco de laranja. Sou massa com molho branco. Sou brigadeiro de morango. Sou milk shake de ovomaltine. Sou água de coco.

Sou imagem. Sou fotografia. Sou música alta, baixa, lenta, rápida, pra cantar, pra imaginar e pra lembrar. Sou canções com vocal feminino. Sou internet. Sou livros de cabeceira. Sou filmes. Sou pastas de música no computador. Sou papelaria. Sou post it. Sou canetas. Sou cadernos. Sou show do Nando Reis amanhã!

Sou... assim!

27 maio, 2010

Vamos andando...



(Imagem by Philip and Karen Smith)


"Vamos andando solidamente... E, de repente vemos um pôr-de-sol... E estamos perdidos de novo."
Jorge Luis Borges

E como gostamos de nos perder né?

Pôr-do-sol...
Sons...
Cheiros...
Sabores...
Vozes...
Lugares...
Pessoas...
Lembranças...
Sonhos...
Realidades...
Vontades...

26 maio, 2010

Porque sim!?



(Image by Cheryl Zibisky)

Hoje tive um dia pesado... e uma noite também, apesar da lua cheia linda que estava lá fora... Fiquei pensando nas pirações da aula passada. Digamos que eu sobreviveria bem sem ouvir numa aula cujo tema era "tragégia" que a única certeza que temos é o fim... OK! Não vou entrar no mérito da questão. Mas fiquei pensando no quanto a gente vai se limitando, se podando... de tal maneira que acaba se tornando natural. 

A gente já não se arrisca mais porque de alguma maneira mágica (e sem fundamento quase algum) sabemos que vai dar errado. Não temos muitas vezes nem  a honestidade de assumir a metade das chances de dar certo! Temos respostas prontas para tudo! Pra que fazer isso ou fazer aquilo, pra que ir àquele lugar, nem vai estar tão legal assim... pra que acordar cedo (embora dormir seja uma delícia), pra que se inscrever naquele curso, talvez nem seja tão bom, pra que fazer aquela viagem, nossa é muito longe, pra que ir naquele barzinho bacana onde os seus amigos vão estar, já está tarde, pra que ir ver aquele filme no cinema, logo estará na locadora, pra que convidar aquele cara bacana pra sair? 

É curioso como buscamos respostas que talvez nem existam e que talvez possam ser somente um porque sim! Porque queremos! Porque estamos com vontade! Porque merecemos! Porque só queremos ver no que vai dar, afinal do chão não passamos certo? Quase desisti de escrever algumas linhas atrás porque os porquês me confundem... com acento, sem acento, separado, junto... decidi que vou escrever do jeito que quiser porque o blog é meu certo?

Sei que estamos apenas na metade do ano... mas, lembrei dessa crônica e fiquei pensando que talvez (50% de chance, OK?) quanto mais cedo rolar um, algum, alguns "porque sim" talvez conquistemos coisas novas, nos surpreenderemos com o esperado e com o inesperado, nos decepcionaremos também, enfim... viveremos com mais intensidade... até porque... porque sim pode ser uma ótima resposta! Seja ele junto, separado, com ou sem acento...

(Image by Deborah Harrison)


Porque sim!

Você tem uma razão muito forte para, neste final de ano, reatar com aquela amiga a quem magoou, para passar o dia inteiro deitado na cama pensando na vida, para interromper a dieta e cair de boca no seu doce preferido. A razão inquestionável e inatacável é: porque sim.

Você passou o ano inteiro fazendo coisas porque não. Você foi a festas barulhentas e lotadas porque não queria ficar em casa sozinha. Você gastou mais dinheiro do que podia porque não contava que iria ficar sem emprego. Você se frustrou porque não conseguiu a bolsa de estudos na Inglaterra. Você foi ignorada pelo carinha que estava a fim porque não ouviram suas preces. Ainda assim, você passou o ano sorridente e bem-humorada, porque não esperavam outra coisa de você.

Agora chegou a época do ano em que você não precisa mais se preocupar em dar explicação. Por que? Porque sim. Acabei de determinar que o final do ano é o momento ideal para expurgar as culpas e para fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, sem se importar se é politicamente correto ou incorreto, se vai dar certo ou não. É a hora de ouvir os seus instintos e atender às suas vontades, hora de se permitir uma certa irresponsabilidade, tomar atitudes desamparada pela razão. Por que? Você sabe porquê.

Vou comprar um vestido vermelho, porque sempre quis ter um. Vou alugar uma moto por um dia, porque nunca tive uma moto. Vou ligar para o Gustavo e dizer que fui apaixonada por ele, porque ele nunca soube disso. Vou ler toda a obra de Shakespeare, porque me deu na telha. Vou pegar um ônibus e só descer na última parada, porque me deu vontade. Vou comprar o disco de uma banda que nunca ouvi falar, sem escutar na loja. Porque sim.

Um exercício de desprendimento: desatar os nós que enlaçam atos e motivos. Fazer as coisas por impulso. Por que? Porque às vezes é bom a gente mostrar pra si mesmo quem é que manda aqui.

Martha Medeiros

25 maio, 2010

Sentimentos Indecisos



(Image by Robin Cerutti)

Antes de colocar essa crônica da Martha que eu gosto muito, só queria acrescentar que meus sentimentos além de indecisos andam meio malucos... Se é que eles não são de fato meio malucos e eu só percebi agora... talvez eles estejam de fato alterados... Depois de uma aula cujo tema foi "a tragédia"... prefiro tecer comentários em outro momento... Tudo bem que adoro cinema... mas de tragédia chega algumas inevitáveis do dia a dia, certo?


Sentimentos indecisos

O sentimento é um indeciso. Nunca está 100% convicto. Por uma amiga: o sentimento inclina-se para o bem, o sentimento é de afeto pleno, mas surpreendemo-nos ouvindo suas aflições e sentindo com isso uma alegria maligna. Que espécie de amizade é essa, verdadeiramente amorosa, porém suscetível a uma humanidade que nos envergonha e dói?

O sentimento pelos pais, representantes de deus em nossa casa, os nossos criadores: dependemos de seus olhares e de suas palavras, queremos deles aceitação – em vão. Basta estarem de desacordo com a nossa verdade para repudiarmos seus valores arcaicos, e então alternadamente detestamos e amamos os pais, absorvemos com a mesma intensidade o sufocamento familiar e a divindade familiar, os queremos por perto e os queremos apartados de nós, e isso é amor enorme e confuso.

E assim sucede com pessoas várias. Colegas, compadres e vizinhos, seres que nos agradam e nos repulsam, que são admirados e desprezados, que provocam em nós sentimentos dúbios em horas alternadas, porque o sentimento é assim, histérico. Você ama o caráter de alguém e lhe odeia o dente amarelado, você admira a inteligência do outro, mas não entende como pode ser tão rude, você quer seu marido sempre por perto, e às vezes longe, e ele quer a esposa sempre ao lado, mas quieta.

O sentimento não suporta tudo. Mas é deste tudo que é feito um sentimento: de choques e prazeres, de desejos e solidão. O sentimento fatiado não existe. Lascas só de sentimentos bons: não. Vem sempre junto a parte estragada.

De nacos frescos e contaminados é feito todo sentimento. O nosso por nós mesmos, maior exemplo. Gostamos de nós, mas queríamos mudar. Temos orgulho do nosso caminho até aqui, e tantos arrependimentos. Gostamos da nossa boca, mas não dos olhos, gostamos do queixo, mas não dos cabelos, gostamos do rosto inteiro, mas precisamos emagrecer, e essa mesma satisfação e insatisfação ocorre por dentro: queríamos mais fígado, menos coração mole, mais estômago, menos dores de consciência, mais alma, mais sono, mais paciência.

Um sentimento decidido? Não há. Paixão ou ódio, estão sempre divididos.

Martha Medeiros


Obs.: Com todo respeito, gostaria só de acrescentar que hoje eu queria mais edredom e cama em dia frio, nos de calor também, e de noite também... mais leite quente com muito ovomaltine (odeio leite, mas com ovomaltine, muita coisa se resolve!), pode ser um milk shake também, sem problemas, mais doces gostosos, menos ônibus lotado, menos correria, mais música gostosa para ouvir, mais sofá e almofadas, mais filmes, mais cinema na verdade, mais rede pra deitar, mais shows bacanas pra curtir, mais risadas com as amigas (precisamos combinar algo!?), mais dias de chuva gostosos pra ficar deitada ouvindo a chuva no vidro da janela (sem ter que nadar na rua de preferência,  até porque não aprendi ainda)  menos dores de cabeça, menos cansaço, menos mau humor (às vezes até é divertido, mas só às vezes) e mais coragem pra correr atrás de tudo isso... e só pra reforçar... MUITO MAIS PACIÊNCIA!