12 setembro, 2010

Trocar risadas



(Image by Paper Boat Creative)

'Reconheçamos o básico: uma vida sem amigos é uma vida vazia. O mundo é muito maior que a sala e a cozinha do nosso apartamento. Que mais? Desmediocrize sua vida. Procure seus "desaparecidos", resgate seus afetos. Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado. Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento-limite para se dar conta disso. O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir'.
Martha Medeiros - Antes de partir

Tenho andado cansada ultimamente. Acho que deve ter algo haver com o final de ano, muito trabalho, faculdade, sono, a saga de tirar carteira de motorista (devia ter feito isso quando fiz 18 anos), cachorro, irmã, família...

Às vezes chego me caso e quero só cama. Mais nada. Às vezes durante 'o caminho' as coisas ficam meio sem sentido e me pergunto umas 476678 vezes pra que fazer isso ou aquilo, ou me procupar, ou não me preocupar...

Mas hoje ao voltar do centro da cidade num ônibus lotado, quente, cansada com fome e com sono tocou uma música gostosa no rádio e me fez pensar que apesar de tudo eu ando me divertindo muito, aliás como nunca me diverti antes. E isso tem muito haver com os amigos que tenho feito, reencontrado, resgatado, me aproximado... enfim.

Lembrei de tantos momentos gostosos, cinemas, feira hippie, teatro, café, barzinho, happy depois do trabalho, almoços, reencontros em salão de beleza, 'baladinha' com minha família e  com a minha irmã (é esla está ficando cada vez mais linda e folgadinha), leituras deliciosas (é vocês tem colorido muito meu dia a dia)conversas simples no corredor, no café, no telefone tentando superar o barulho e o balanço do ônibus, mensagens no celular...

E tenho percebido que além dessa correria existem momentos muito gostosos, leves que vão preenchendo como quebra-cabeças a loucura de cada dia. Talvez eu tenha chegado em alguns momentos limites para perceber isso, mas agora que aprendi espero não esquecer... acho que não dá! Por isso quero mais é trocar risadas sabe?

11 setembro, 2010

Sentir-se capaz!?



(Image by ZenShui - Laurence Mouton)

Tenho pensado muito ultimamente nas minhas possibilidades, 'do que eu sou capaz?'. Acho que períodos de grandes mudanças nos provocam a pensar nisso...
Coincidentemente recebi por email essa semana uma crônica da Martha que se chama 'Ser capaz'. (Aliás, obrigada viu!? Estava mesmo precisando me lembrar de algumas coisas!). E entre essas coisas me lembrei que quando comecei o blog escrevi sobre isso... Voltei pra ler e acho que descreve muito o eu tenho pensando e sentido ultimamente!
Obs.: Só não estou mais chateada com o planeta... pelo menos hoje não! [rs]

Do que você é capaz?

Ontem estava chateada com o planeta, nem vou falar com o que exatamente porque não sei, por isso melhor englobar todo o planeta (sou controladora, prefiro pecar pelo excesso). Tenho alguns livros da Martha que ficam ao lado da minha cama, e geralmente leio alguma coisa antes de dormir, nos momentos de raiva e quando me sinto bem também. E hoje acabei lendo eese texto, provocada pelo título: “Ser capaz”. Acho que “do que somos capazes” é uma pergunta que nos fazemos demais (de menos às vezes) durante a vida.

Tudo bem que do alto dos meus 26 anos, não é exatamente “durante a vida”, mas digamos que se trate de uma experiência significativa. Na realidade o que me intrigou é que a cada dia encontramos novas respostas para essa pergunta. E em compensação continuamos à fazê-la, mais e mais. Fiquei pensando em quantas coisas deixamos de fazer por conta justamente de questionar a nossa capacidade. E talvez em quantas outras nos encorajamos justamente por nos sentirmos capazes... E o quanto esse pergunta chata, confusa, provocadora, encorajadora... nos movimenta.

Continuo sem conseguir pontuar exatamente do que sou capaz (ainda que a Martha dê conta de algumas coisas muito bem...) sou capaz de insistir quando acredito (é, teimosia pode ser uma virtude), de brigar pelo que penso, de deixar o medo falar mais alto às vezes... Sou capaz de sobreviver a situações que jurava que me tirariam do eixo pra sempre (se é que eu tenho um), sou capaz também de desistir das coisas mais hipotéticas do planeta, só por pensar que não era capaz. Entretanto, para o equilíbrio do planeta (mais especificamente do meu equilíbrio e por consequência dos outros na minha órbita) sou capaz de ser capaz quando não acreditava que seria, e de sobreviver quando não sou...

Sou capaz de convencer as pessoas de algumas maluquices (na 'maioria' das vezes boas), sou capaz para a dor, para rir de coisas boas e ruins, sou capaz de pensar em 234 mil hipóteses antes de tomar uma decisão, capaz de imaginar as coisas mais absurdas do planeta (tá vendo como sou exagerada?), sou capaz para o exagero também, e é claro capaz de parar às vezes antes desse exagero se concretizar. Mas sou incapaz para a espera, para a dúvida, e na maioria das vezes... para o que me provoca medo.

Queria muito dizer que não sou capaz de ir contra o que penso, o que quero e o que sinto, mas parece que capacidade mesmo eu tenho para ser humana... e assim, às vezes ser incapaz de fazer o que eu mais queria. Entretanto, gosto de pensar na possibilidade de a qualquer hora dessas fazer coisas que nunca pensei que seria capaz...

09 setembro, 2010

O que você mais quer?



(Imagem by Simon Bond)

Era uma festa familiar, destas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui? De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia. "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"

Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta?

Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.

Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.

Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.

Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.

Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.

E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.

Martha Medeiros

07 setembro, 2010

Saudade em dia de chuva...



(Eu e o meu avô Sidney)

Dia de chuva faz a gente pensar demais. O que é uma delícia, mas às vezes nos leva para onde não estávamos planejando. Aliás, eles têm esse poder, de justamente nos levar para onde não era o plano. Esse feriado eu comprei uma estante oara organizar meus livros. E é claro, em meio a poeira, flanela, lustra móveis e livros eu encontrei algumas coisas importantes. Acho que encontrei mais um pouquinho de mim.

Achei um livro que comprei há algum tempo numa livraria bem pequenininha que fica aqui do centro da cidade. Áliás, me lembro como se fosse hoje da saudade que estava sentindo do meu avô naquele dia (não que ele não esteja comigo sempre de alguma maneira, mas tem momentos em que por alguma razão, que não compreendi ainda, a saudade fica mais forte...).

Sempre que vou em livrarias fico meio perdida. olhando de tudo um pouco... e de repente achei um livro bem pequenininho que se chamava "Mensagem Para Meus Netos", e na capa estava escrito: "Se você tivesse que escolher um único conselho para deixar para seus netos qual seria?".

Claro que comprei. Devorei o livro no ônibus no caminho de volta pra casa e fiquei pensando qual seria esse conselho do meu avô, entre tantas coisas que ele me disse...

O livro foi idéia do autor, um garoto de 12 anos, cuja avó sofria de Alzheimer e por terem tido pouco contato antes da doença ele ficava imaginando o que ela lhe diria, que conselhos ela teria para dar se pudessem ter convivido mais. Então ele escreveu para diversas pessoas pedindo para cada uma delas um conselho que sintetizasse o que consideravam verdadeiramente importante e que gostariam de transmitir para seus netos - quer já fossem avós ou não. Ele então reuniu todas as resposas e organizou esse livro.

Não há como não lembrar do meu avô e não pensar nas árvores frutíferas da chácara que ele tanto adorava... Da chácara que aliás ele ergueu parede por parede, do cheiro de terra, do fogão à lenha, dos dias quentes brincando com o esguicho d'água, das 'viagens' para Jaguaríuna, do Chevett ameralo ouro que ele tinha tanto orgulho...

Acho que tenho tanto dele hoje. Fiquei pensando qual seria o seu conselho. Afinal, ele já me disse tanta coisa importante! E acredito que cada uma delas continua aqui comigo. Organizando ainda a minha estante, encontrei um outo livro especial que ganhei de presente dele, é um livro de pensamentos e dentro há uma dedicatória que diz assim:

Para Michelle Felippe,
Ler e saber, viver e reviver,
São efeitos, com o passar do tempo,
descobrirás as causas.
De seu avô Sidney.

Acho que esse deve ter sido um desses conselhos especiais. E hoje, aqui nessa noite chuvosa, duvidando de tanta coisa, perguntando tantas outras, querendo outras tantas... Acho que posso ouví-lo me dizendo...

Paciência Michelle, paciência...

06 setembro, 2010

(...)



 (Image by Atsushi Yamada) 

Às vezes eu queria só um pouco mais de coragem pra sentir o que eu sinto...
Só um pouquinho mais de coragem pra dizer o que eu sinto...
Um pouquinho mais de paciência pra lidar com o que eu não sei sentir nem dizer...
Talvez um dia eu aprenda...
Ou não...