19 setembro, 2010

A rua acaba e meus sonhos vão...






Flores No Asfalto
Zeca Baleiro

Os sinos dobram, dobro a esquina adiante
O céu me espia mais azul que antes
Os mortos andam como eu nas avenidas
O sangue escorre da mesma ferida

Ergo as mãos pro alto, nos meus dedos os anéis
Flores crescem no asfalto, debaixo dos meus pés

Tudo silencia, ouço só meu coração
A rua acaba e meus sonhos vão
Piso na poça, uma moça estende a mão
Meus olhos brilham, vejo o céu no chão

Ergo as mãos pro alto, nos meus dedos os anéis
Flores crescem no asfalto, debaixo dos meus pés
Deixo o dia para trás
Sono e sonho a noite me traz
Deixo o dia para trás
E a dor

16 setembro, 2010

O que fica...



(Image by Andrew Bret Wallis)


"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro".
Caio Fernando Abreu

15 setembro, 2010

Pirações de uma aula...



(Image by Tim Robberts)


Filme?
Documentário "Acidente" (Direção: Cao Guimarães e Pablo Lobato - 2006).
Vida?
Trajetórias vividas até 'aqui', até esse exato momento...
Futuro?
Eterno devir...
Eu?
Eterna dúvida...

13 setembro, 2010

Encontrar-se?



(Image by Aaron Black)

Perder-se também é caminho.
Clarice Lispector

Acho que não tinha coisa melhor para aprender nesse 'caminho'. Engraçado que na minha cabeça as coisas só estariam 'certas' quando estivessem no lugar, devidamente organizadas, devidamente etiquetadas, devidamente classificadas de alguma maneira. Se não estivessem calssificadas... ai... havia alguma coisa muito errada que não me deixava nem ao menos tentar vivê-las nessa 'relativa' desordem.

Engraçado que de uma maneira ou de outra eu nunca percebi que eu vivi essas coisas, estando elas organizadas nas minhas gavetas e pastas abstratas malucas ou não. Mas vivi com muito menos intensidade, sentimento e talvez vontade do que se tivesse simplesmente vivido e não procurado entendê-las. É claro que valeu a pena. Todas elas tiveram a sua magia,  o seu significado. Talvez, não teria chegado a essa conclusão se não tivesse enlouquecidamente tentado enquadrar todos os acontecimentos, sentimentos, sonhos que nunca viraram acontecimentos e até mesmo os sonhos que se realizaram em algum lugar.

Engraçado perceber como hoje, de repente, (ía escrever sabe Deus, mas pôxa vida, acho que ele acabava se perdendo junto comigo nessa minha confusão maluca), as coisas simplificaram. Engraçado que a dor continua dor, continua a doer como sempre doeu, com a diferença que tenho me permitido sofrer se é que é isso que ela me provoca, ao invés de tentar entendê-la. A vontade continua a ser vontade, agora muito mais livre pra existir, a saudade continua saudade, lembrando de coisas que hoje eu sei que talvez sejam inclassificáveis nas minhas pobres categorias, o medo então... continua tão medo como nunca, mas (quase) sem classificações, o medo agora  parece permitir o frio na barriga que as possibilidades diante do desconhecido (ou do conhecido) provocam...

Talvez esteja só sonhando sabe? (Ando tomando uns relaxantes musculares dos deuses... [rs], ah e um certo floral meio mágico feito com muito carinho né!?). Mas talvez sabe lá porque, as coisas, apesar de ainda complicadas, se tornaram mais simples, mais claras e mais vivas. E o mais engraçado é que acho que nunca estive tão perdida como agora. Mas uma grande amiga de quem eu gosto muito, uma vez me disse essa frase da Clarice, que perder-se também é caminho, e não me passa pela cabeça caminho melhor, do que estar perdida agora.

'Estou de alma lavada
Não chove mais na minha estrada
Seu olhar já me chamou
Eu vou
Caminho pro interior'

Caminho pro interior

12 setembro, 2010

Caminho pro interior

Bruna Caram
Composição: Otávio Toledo

A manhã nasceu lá fora
O meu tempo é mesmo agora
Já vesti a roupa colorida
Na cabeça vem aquele verso
Sobre o meu novo universo
A canção que é minha preferida
Nesse rio sei andar na beira
Desvario é essa cachoeira
Trilha subindo a mata
A vista que me arrebata

Essa estrada me chamou
Eu vou
Caminho pro interior