20 dezembro, 2010

Presente para minha amiga não mais secreta...


Bom...
Chega de suspense né? Na verdade eu nem sou tão boa assim com suspense...
A minha amiga secreta é... a Mila, que escreve o "Pensamentos de Mila".
A gente nunca conversou, mas acompanho seu blog à distância!
Sabe que diferente de vocês eu não sou poeta, não desenho, nem canto, nem danço...
Por isso separei uma poesia que achei bem bonita (e desejo tudo isso de verdade pra vc!) e um vídeo, para animar esse 2011 que já está chegando!
Mila, parabéns pelo blog, pelas palavras, por sua sensibilidade... E um super Natal com um 2011 melhor ainda!
Beijos!

Desejos

Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade




19 dezembro, 2010

Amigo Oculto - Poesia Torta!




Desculpem a demora!
Final de ano é sempre uma correria maluca!

Mas vamos lá...

A minha amiga oculta (é, é uma 'amiga') que eu poderia resumir nas palavras abaixo... (já que poesia tá bem longe de ser o meu forte, sabe?)
Sensibilidade...
Pensamentos...
Sentimentos...
Emoções...
Ah... e é alguém que esse ano teve algo para comemorar nessa caminhada, nesse 'dividir' emoções, palavras...





17 outubro, 2010

A arte de viver



(Image by Dougal Waters)

Uns cantam, uns dançam, outros fazem embaixadas por 24 horas sem deixar a bola cair. Uns são campeões de pára-quedismo, uns pintam telas abstratas, outros equilibram pratos na ponta do nariz. Vivem nas revistas, na tv, dando entrevistas.

Quem não tem um talento especial acaba se sentindo um penetra nesta festa onde todos tem tido os seus quinze minutos de Caras. Uns sabem desfilar, outros são chefes de cozinha, há os reis do pagode. Uns pilotam carros, outros apresentam talk shows, volta e meia aparece um novo ilusionista. Como não se sentir descartado nesse planeta de tantos destaques? Simples: Valorizando nossos pequenos grandes talentos.

Viver é uma arte. A arte de conversar com desconhecidos, por exemplo. De se revelar em poucas palavras pra uma pessoa que não sabe nada de você, e você nada dela, e estabelecer um contato que seja agradável e frutífero para ambas as partes, evitando silêncios constrangedores ou, pior, o sono.

A arte de ser pontual. Para pouquíssimos. Calcular exatamente o tempo que se chega de um ponto a outro da cidade e ter a capacidade de prever o imprevisto: trânsito mais caótico do que o normal, chuva, falta de lugar para estacionar. Atender um paciente na hora marcada. Decolar no horário previsto. Não entrar atrasado no teatro. Um dom.

A arte de manter uma amizade por anos a fio. Aquele amigo da adolescência que foi morar em outro país. Aquela amiga com quem você se desentendeu por causa de uma bobagem. Aquela turma que já não pensa como você. É uma arte saber onde e quando procurá-los, telefonar nos momentos especiais, esquecer as picuinhas, aceitar seus novos pontos de vista, lembrar e rir juntos do passado. Um talento a ser aprimorado diariamente.

A arte de se isolar. De penetrar no nosso íntimo, de buscar ajuda na meditação, debeliberadamente não pertencer a grupo nenhum e fundar uma natureza própria, e ainda assim não ser um ermitão, ser apenas alguém que de tempos em tempos se retira para se reencontrar. Há uma técnica pra isso.

A arte de perceber segundas intenções, a arte de se controlar, a arte de fixar prioridades, a arte de saber furar os bloqueios, a arte de não desistir na primeira dificuldade, a arte de não viver uma vida de aparências, a arte de andar desarmado, metafórica e literalmente falando.

Cada um de nós mereceria ao menos uma reportagem para homenagear nossos dons mais secretos, aqueles que acontecem bem longe dos holofotes. O dom de viver sem aplauso e sem plateia. O glorioso e secreto dom de vencer os dias.

Martha Medeiros

Medo...



(Image by Seiya Kawamoto)

Houve um tempo em que o medo era de cair...
Houve um tempo em que o medo era de estar lá embaixo...
Houve um tempo que o medo era levantar...
Chegou o tempo do medo de não saber o que fazer quando estiver em pé novamente.