30 junho, 2010

Asas, brasas, vida...


(Image by Jennifer Becker)

"A vida é um constante exercício
de mãos, criando asas
de pés, pisando em brasas".

 Leila Míccolis

Obs.: Depois de um dia pesado como hoje queria mesmo ficar é de pernas pro ar! Chega de pisar em brasas, melhor focar na possibilidade das asas certo?

27 junho, 2010

Tempo? A fórceps...



(Image by Laura Rounds)

Final do ano irei viajar com algumas amigas! Estava pensando nisso ontem, afinal depois de trabalhar uma tarde toda de um sábado mais que ensolarado, nada melhor que pensar em possibilidades de fugir. E junto com isso comecei a pensar nas coisas gostosas que quero fazer, voltar a fazer, tentar fazer! Essa viagem é uma delas!

Lembrei do meu curso de roteiro para documentários que está meio parado, esperando formar turma. E aí percebi que resolvi atacar de cinema, saídas com as amigas pra dar risada, show do Zeca Baleiro (ainda que na praça de alimentação do Shopping Dom Pedro), Nando Reis e Zeca de novo em São Paulo (Núbia, precisamos comprar logo os ingressos, e Bia esse não tem desculpa ok?!), dormir (que delícia desmaiar com um edredom fofinho), comer coisas gostosas!

Essa semana aconteceu uma coisa completamente idiota, que pensei que só acontecia na TV sabe, trombei uma porta de vidro, caí sentada, quase quebrei o nariz, o dente... Fiquei pensando depois enquanto estava indo na farmácia, no dentista... Afinal se a vida já não está fácil com o rosto no lugar, imagina sem nariz e dente? Enfim, que esse acidente idiota é culpa parte da minha desatenção com o planeta e parte da minha correria de cada dia sabe?!

Continuei pensando que no meio de trabalho, reuniões, respostas, ônibus lotado, frio, calor, fome, preguiça, sono, aulas, seminários, livros, mestrado... Seria bem interessante encontrar/ providenciar/ plantar/ improvisar (seja lá o verbo que for) tempo para as coisas boas também! Afinal se trombadas em portas conseguem me fazer encontrar tempo, coisas boas devem fazer mais!

E tudo isso me lembrou uma crônica da Martha que gosto muito, que se chama "A fórceps"...

Que consigamos driblar o tempo!


(Image by FPG)

A Fórceps

Recebo o e-mail de uma amiga contando que, mesmo não tendo tempo para mais nada,voltou para as aulas de dança,que está fazendo à noite. Diz ela: "Tem coisas que devemos abrir espaço a fórceps, ou corremos o risco de serem extinguidas de nossas vidas".

Fórceps todos sabem o que é. Um instrumento que, em obstetrícia, serve para extrair o bebê do útero, em caso de pouca dilatação do ventre. Falando assim, parece uma coisa agressiva, mas não é. É um help. Se a natureza não está ajudando, o fórceps vai lá e puxa o bebê pra vida. Pois é assim que estamos levando os dias: a fórceps.

Se existe uma coisa que não se dilata espontaneamente é o tempo, contrário, está cada vez mais apertado, então a gente tem que tratar de extrair tudo o que a gente quer da vida na marra mesmo. Forçando um pouco. E lá vamos nós pra noite, mesmo com medo da própria sombra.

Vamos jantar, vamos ao cinema, vamos ao bar, vamos à casa de amigos,vamos cantarolando dentro do carro e com os vidros bem fechados, vamos despistando as neuras e tentando estacionar bem longe das estatísticas estampadas nas páginas policiais E a gente promete nunca mais telefonar para quem nos faz sofrer mas acaba telefonando, e ele atende, e implica, e a gente some, eele chama, e a gente volta, e briga, e ama, e sofre, e ama, e ama, e ama, desama, e termina, e quando parece que cansamos, que não há mais espaço para um novo amor, outro aparece, outro parto, começa tudo de novo, aquele ata-e-desata, o coração da gente sendo puxado pra fora.

E a gente faz mágica: vive 32 horas por dia, oito dias por semana, 14 meses por ano - e com um salário microscópico. Fazemos a volta ao mundo com meio tanque de gasolina, dormimos seis horas por noite, sonhamos acordados o tempo inteiro.Bebemos um drinque com as amigas e voltamos para casa sóbrias, entramos no quarto das crianças sem acordá-las, um pássaro não seria mais leve.

Lemos todos os livros do mundo nos intervalos da novela, paramos dois segundos para olhar o pôr-do-sol pela janela, telefonamos para nossa mãe ao mesmo tempo em que respondemos o e-mail de um cliente, e se alguém sorri para nós, a gente se aproxima, se arrisca e renasce nestas chances de vida.

Porque senão é da casa pro trabalho e do trabalho pra casa, deixando o tempo agir sozinho, dilatações espontâneas. E, como elas não acontecem, permanecemos paralisados na vidinha mesma de sempre, lamentando o fim das nossas aulas de dança.

Martha Medeiros

25 junho, 2010

Caminhar sozinha?!



(Image by Sami Sarkis)

Tava ouvindo uma música hoje que dizia assim: “Eu só queria saber por onde caminhar/E não ficar esperando alguém vir me buscar...”, de novo acho que a música nem fala nada sobre o que me fez pensar, aliás, acho que ela fala do contrário... Aquela velha história de sentir falta de alguém... Não sei! Mas música é pra isso também, pra nos fazer pensar, ainda que em coisas que não tenham necessariamente haver com elas... O fato é que agora a noite estava conversando com uma amiga quando de repente escrevi a seguinte frase... “é muito bom poder andar e cair com as próprias pernas...”. Talvez não tenha muito sentido olhada assim, mas quando li na tela do computador percebi que loucura! Ainda não tinha me dado conta desse movimento.

Talvez a correria do dia a dia colabore nesse sentido, mas fiquei pensando em como nos acostumamos a ter pessoas por perto. E não estou dizendo que não seja bom tê-las, amigos, colegas, família, seja lá quem forem. Só quero dizer que de alguma maneira estranha(mente humana, ou não só humana também) nos acostumamos a ter sempre alguém 'tocando a vida com a gente'.

Acho que isso tem uma parte boa sim... Não na mesma proporção do Tom Jobim de "é impossível ser feliz sozinho", mas sim, as pessoas com certeza dão um colorido especial à nossa sagrada correria diária. Mas de repente nos vemos sozinhos e bate aquela insegurança de como vai ser? E aí, como vou dar conta? Como vou conseguir sozinha? E, de repente (que não é exatamente de repente, e sim um mega movimento nosso para isso) (SEM) mágica: a gente consegue! E consegue concretizar planos, fazer outros, construir novos sonhos, substituir outros, tropeçar, tirar as pedras do caminho, encontrar outras...

E na loucura de novo (hoje estou com a palavra loucura na ponta da língua... como diria a minha terapeuta, fica pra pensar [rs]...) nem percebemos que além de dar conta, de andar com as nossas pernas, de cair com elas... Nós levantamos também! Sozinhos! E como é estranho se sentir assim?! Custamos a acreditar que foi possível, que é possível!

Longe de mim desconsiderar todo apoio, troca, alegrias, tristezas e surpresas que as pessoas nos proporcionam, mas parece que saber que podemos dar conta de nós mesmos é algo muito significativo! E faz com que possamos olhar pra tudo isso de uma forma diferente...

Ainda que nunca estejamos sozinhos de fato, parece que respiramos diferente, caminhamos diferente, falamos diferente... Acho que paramos de esperar alguém vir nos buscar e podemos simplesmente (ainda que isso quase nada tenha de simples...) caminhar...

Fica a música pra quem quiser conhecer...


De longe
Tihuana

24 junho, 2010

Poetas...



(Mário Quintana)

"Um bom poema é aquele que nos dá a impressão
de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!"

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

Obs.: Impressionante como vocês conseguem fazer isso! Queria que soubessem o quanto é significativo pra gente quando 'nos lemos' nos poemas de vocês... E ficamos pensando, como puderam escrever o que sentimos? E vocês realmente fazem isso muito bem!

21 junho, 2010

Miedo...



(Imagem by Marta Bevacqua)

“Se bastasse falar do medo para superá-lo, já estaríamos livres deste sentimento há muito tempo. É impossível viver sem ele. Podemos dizer que o medo faz parte daquelas razões do coração desconhecidas da razão que rege os pensamentos” (Marcia Tiburi, A forma mais comum do medo é o medo do medo).

Estava conversando com uma amiga (muito querida por sinal), e o tema era medo! Achei que o foco fosse romance, claro, romance também, mas muito mais medo! Já reparou como sentimos medo de quase tudo? Medo de gostar de alguém, medo de não gostar de alguém, medo de não gostar o suficiente, ou de gostar demais, medo de perder a amizade, medo de contar que gostamos e medo dele nunca saber disso... isso só falando em gostar...

Sem contar os medos que sentimos em casa, na rua, sozinhos deitados no quarto, no banho, no supermercado, no trabalho... medo de não dar certo, medo de dar certo, medo errar, medo de acertar e não saber o que fazer, medo de não dar conta, medo dos desafios, medo das novidades que por mais que nos movimentem nos deixam inseguros... Afinal, estamos diante do desconhecido, ou muitas vezes do “não conhecido muito bem” e honestamente acho que nos acostumamos com a segurança do saber, do conhecer e no meu caso (que também é o caso de todas as pessoas que insistem em prever o futuro) imaginar o resultado!

Sabe que além da Martha de quem nem dá pra perceber quase que gosto muito, tenho lido alguns textos da Marcia Tiburi e gostado muito também. Ela escreveu um artigo sobre o medo intitulado “A forma mais comum do medo é o medo do medo” e só posso concordar que é!

Antes de termos medo, temos medo de sentir medo!!! E não sei como nunca reparei nisso! A srta medrosa! Sempre duvidando de tudo, sempre pensando nas piores possibilidades (o que na minha teoria me deixa pronta pra parte ruim e pra curtir os bons resultados ‘inesperados’, se eles existirem claro!), sempre com medo! Ah o inesperado! Esse me apavora! Benditos imprevistos! Me tiram o chão, que já parece querer fugir dos meus pés naturalmente e sem muito esforço.

E enquanto estávamos conversando percebi o quanto é fácil encorajar os outros e o quanto o medo do outro nos parece mais simples de resolver. Impressionante né!? Já reparou quantos amigos encorajamos o tempo todo, mas lá no fundinho pensamos ‘será que eu teria coragem?’, ou ‘será que vai dar certo?’. Mas lá no fundo de novo (nem tão no fundo assim na verdade) acreditamos sinceramente que eles são capazes! E que pode dar certo! E ainda bem que o movimento é esse, porque mil outras vezes somos nós os encorajados a arriscar! E no fim... do chão ninguém passa.

E o pior é não consegui pensar em nada pra amenizar esse medo todo que não seja conviver com ele, enfrentá-lo (às vezes e quando nos parecer - ainda que ilusóriamente e encorajados pelos nossos amigos - seguro [rs]) e ter paciência! E aí a Marcia tem razão novamente ao nos alertar que...

“Podemos odiar o medo, querer extirpá-lo de nossas vidas, mas nem sempre o fazemos pela via mais simples, porque é muito difícil combater um sentimento. Melhor, quando se trata de sentimentos, aprender a conviver com eles. Um sentimento cresce na exata proporção em que o negamos. Torna-se mais leve quando o aceitamos. É a única chance de que nos deixe em paz”. (Marcia Tiburi, A forma mais comum do medo é o medo do medo).
 
Pra nos ajudar a pirar...

Miedo
Lenine e Julieta Venegas
Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

"Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo"