31 julho, 2010

Pessoas ímpares! Premio muchas gracias al blog amigable...



(Selo 'Premio muchas gracias al blog amigable')

'Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho ímpar'.

Carlos Drummond de Andrade

Fiquei pensando que bom que a vida é assim, cheia de pessoas ímpares... nas quais esbarramos quando menos esperamos né?!
Recebi o selo 'Premio muchas gracias al blog amigable' e gostaria de agradecer o Franck que escreve (muito bem por sinal, vale demais a pena passar por lá!) 'poemas, chiclete & som'  por lembrar de mim! E já que como ele mesmo disse as regras foram  quebradas, vou distribuir também para essas pessoas ímpares que tenho encontrado pelo caminho, ok?

28 julho, 2010

Até o Fim?



Até o Fim
Chico Buarque

'Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim'.

Já reparou que tem dias que parece que a vida está mesmo brincando com  a gente?
Como se quando acordassemos um anjo safado estivesse ao nosso lado prontinho pra se divertir?
E assim o dia segue, cheio de coisas que fazem você pensar: 'não, não pode ser verdade!?' ou 'não, só poderia estar acontecendo comigo!? Tem dias em que a sensação é essa... de que já de saída a estrada entortou... Mas, vamos lá... até o fim, seja lá onde for... [rs]
E quem sabe é possível se divertir junto com o anjo... às vezes é!

26 julho, 2010

(...)


(E não é que quando menos esperávamos ela floresceu?
Difícil reparar nas flores quando estamos tão acostumadas com o verde das folhas né?)


Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.

Carlos Drummond de Andrade


Estava aqui pensando na minha dificuldade em me expressar. Já reparou que há pessoas que parecem ter passado nas filas da graça, da clareza, da eloquência,  pelo menos um milhão de vezes? Enquanto você parece ter se escondido quando essa oportunidade surgiu. Já treinando claro, pra se esconder quando essas oportunidades surgissem na Terra. Carlos Drummond de Andrade deve ter sido do primeiro grupo (palpite, não faço a menor idéia), nem que fosse somente para escrever. Mas ok, por esse poema talvez tenhamos algo em comum. Olha quem diria que eu teria algo em comum com Drummond? (Ok, só suposição [rs]).

Eu certamente sou do segundo grupo. Daquelas pessoas que rezam internamente (e externamente se for necessário) para não serem chamadas para falar em público, que rezam para não ter que pedir informações ou fornecê-las (ainda mais sobre caminhos, dada a a minha eterna dificuldade com direita e esquerda), rezam para passarem desapercebidas nos diferentes ambientes, que diga-se de passagem, quanto mais diferentes mais desesperam! 

Mas que é claro, talvez por rezarem tanto acabam sentando na última fileira e sendo o motivo de piada do palestrante que acredita ser original por resolver tirar sarro das pessoas que como eu sentam no fundão. Acabam sendo o bode expiatório da aula, sem nunca descobrir porque, afinal tudo o que fizemos foi rezar e sentar mudas em alguma carteira distante do foco, pedindo internamente para que houvessem poucos seminários durante o semestre Afinal já teríamos que nos preocupar com o que fazer nas outras horas... festas, multidão de pessoas na cantina, pessoas naturalmente alegres, desinibidas, que nos fazem perguntar o tempo todo, porque será que eu não sou assim?

Talvez isso venha de uma adolescência não muito popular, de várias festinhas sentada em qualquer canto que tivesse um lugar para apoiar (preferindo mil vezes estar dormindo), certa falta de coordenação pra dançar, o espelho quebrado da academia que o diga, certa vergonha de 'respirar' perto de pessoas desconhecidas. Sabe aquele apelido imbecil de bicho do mato? Enfim, essas experiências que hoje para para melhorar dizemos que 'o que não nos mata fortalece', certo? [rs]

A verdade é que nem com as palavras em mente, falar para mim é fácil. Nunca é. Esse blog tem sido um exercício interessante e inesperado pra mim. Tem sido ótima a experiência essa de trocar com vocês. Mas ao mesmo tempo me fez perceber que continuo com essa dificuldade maluca de dizer o que quero, o que não quero, o que sinto, o que tenho medo de sentir, o que penso... E comecei a pensar (antes só pra mim, agora com vocês) que talvez tenha me acostumado a ser assim, só não me acostumei com a idéia de talvez (certamente, no meu caso) não conseguir expressar o que eu sinto, seja lá como for. A pessoa indo embora ou não. De qualquer maneira, o momento vai, e talvez aquele fosse o momento de falar.

O que resta é talvez pensar que sentir, querer, sonhar talvez já seja alguma coisa e que uma hora dessas fique mais simples dividir isso... e que outros momentos virão...

Tudo isso pra dizer pra uma amiga que ela é muito importante pra mim, viu? Independente de como eu (não) demonstre isso às vezes!? Vamos combinar que não dá pra se ficar todas as filas né, e certamente eu fiquei naquela que me fez encontrar pessoas como você!

Obs.: Às vezes as flores aparecem viu!? Deve fazer parte desse ciclo maluco da vida! Aproveite, ok? Você merece muito! Novas pessoas terão a sorte de poder conviver com você diariamente e as companhias telefônicas terão a sorte de sermos amigas e continuarmos fofocando todos os dias, certo?!

24 julho, 2010

Garantias?



(Image by 4 Eyes) 


'Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação'.

Clarice Lispector


Que necessidade é essa que sentimos de ter 'garantias'? Ainda que saibamos que elas para nada ou para quase nada servem. Curioso como ficamos imaginando um milhão de hipóteses, só para termos a ilusão de não sermos pegos de surpresa. E a verdade é que de novo, pouco adianta.

Queremos garantia de que vai dar certo, garantia de que vai dar errado, sim isso mesmo, porque a garantia de que vai dar errado muitas vezes conforta mais do que a de que vai dar certo, afinal se der certo: ponto pra gente. Garantia de que ficaremos bem, de que consiguiremos (seja lá o que for) de que seremos felizes (ainda que não saibamos como, onde, quando e nem que talvez já sejamos [rs]), garantia de que realizaremos nossos sonhos, até garantia de que poderemos levar pra outro mundo o que esquecemos de sonhar...

Parece difícil (quase impossível na verdade) ter alguma garantia ou entender os acontecimentos enquanto se caminha... A não ser a garantia de desorientação!  Lembrei de uma música do Teatro Mágico que diz que a 'incerteza traz inspiração'. Pode ser que traga mesmo. Afinal nada como imaginar o que não se sabe...

Que encontremos alguma leveza e diversão na incerteza e na desorientação de cada dia! Ainda que às vezes não seja tão simples se entregar à elas...


Sonho De Uma Flauta
O Teatro Mágico

'Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais'.
(Ter garantia delas então...)

22 julho, 2010

Sonhos



(Image by John Slater)

'Pode ser que para outro mundo
Eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo
O que me esqueci de sonhar?'

Fernando Pessoa,
por seu heterônimo 'Álvaro de Campos'.